“Já na época passada tinha aparecido em muitos momentos. No início da época e quando voltou de lesão. Sempre teve influência, mas agora tem mais regularidade, consistência e trabalho. A temporada passada foi um ano de transição”. Entre muitos fatores que ajudam a explicar o momento de João Félix no Atl. Madrid, Diego Simeone resumiu tudo a uma ideia: adaptação. Conhecer uma nova realidade, um novo clube, uma nova cidade, uma nova ideia de jogo, uma nova identidade em campo. Depois, tudo o resto, é talento. Um talento que fez a reviravolta com o Salzburgo, um talento que deu a vitória frente ao Osasuna, um talento que, com quatro golos em dois jogos, pôs o português como o melhor marcador dos colchoneros no ano civil de 2020 (10 golos). “Não é para qualquer flop“, brincou Fernando Pimenta, um dos atletas nacionais mais medalhados de sempre, nas redes sociais.

Dois golos, um remate acrobático na trave e muito futebol: João Félix dá primeira vitória do Atl. Madrid na Champions

“Desde o primeiro treino que vimos que o João [Félix] é um jogador diferente. Sabíamos que o primeiro ano não ia ser fácil mas também teve grandes momentos em que mostrou a sua qualidade. Este ano tem a consistência que faltou no ano passado e estamos muito felizes com ele porque pode resolver um jogo com uma jogada. Tem muito espaço para crescer e pode dar-nos muita alegria”, comentou Savic, central e companheiro de equipa.

Depois da pesada derrota no primeiro jogo na Champions em Munique frente ao Bayern, que pelas fragilidades apresentadas pelos espanhóis levou a que se falasse numa falência do Simeoneball no plano europeu, o Atl. Madrid conseguiu vencer no Wanda Metropolitano o sempre incómodo Betis, conseguiu uma reviravolta fundamental nas contas da qualificação frente ao Salzburgo e conseguiu agora novo triunfo na Liga diante do Osasuna, que colocou a equipa no quarto lugar com menos dois jogos e sendo a única formação ainda sem derrotas na prova. Voltava a ver-se consistência na equipa, estava recuperada a magia para desequilibrar na frente, com ou sem Suárez.

“É tudo gerado pela presença de Suárez, há uma necessidade de ter gente a abastecê-lo… Costa e Morata têm outras caraterísticas, Suárez precisa de mais gente perto dele e onde sabe que faz estragos. As características de Suárez levaram-nos a esta mudança de jogar com Félix e Correa. Com Falcao jogávamos de outra maneira, assim como com Diego Costa. Com Suárez temos de nos agarrar a outra situação”, explicou Simeone, que na última jornada optou por dar descanso ao avançado uruguaio ex-Barcelona. Esta noite, em Moscovo, Suárez acabou por ser o mais “criticado” pelo empate frente ao Lokomotiv, num jogo de sentido único onde o Atl. Madrid falhou demasiadas oportunidades e que teve João Félix de novo como o melhor, como destacou a Marca: “Não pode fazer tudo”.

A boa entrada do Atl. Madrid, mais pressionante e com capacidade para entrar no último terço do conjunto russo, acabou por valer a vantagem inaugural aos visitantes com um golo de Giménez, a cabecear na área como se fosse um avançado após cruzamento de Herrera na esquerda (18′). O mexicano esteve no melhor mas também no pior, pouco depois, fazendo a grande penalidade que deu a hipótese a Anton Miranchuk de empatar o encontro (25′). Ainda assim, e apesar desse impulso emocional, os visitados nunca conseguiram incomodar Oblak, que via o Atl. Madrid criar algumas oportunidades sem finalização com Suárez a assumir o principal protagonismo.

No segundo tempo, os espanhóis foram ainda mais dominadores e houve sobretudo mais João Félix, demasiado preso entre linhas do Lokomotiv na primeira parte e que se soltou de forma decisiva após o intervalo. Decisiva ou quase, entenda-se: o avançado português começou por ter um cruzamento/remate que encontrou Suárez sozinho ao segundo poste isolado mas o desvio acabou por ir ter com o guarda-redes Guilherme; depois o número 1 e dono da braçadeira do conjunto de Leste teve a grande defesa da noite a um remate de fora da área de Félix; por fim, Guilherme voltou a estar em destaque, desviando para canto um cabeceamento do número 7. O Atl. Madrid dominou por completo, pressionou, teve oportunidades mas não foi mesmo além do empate.