Demorou, demorou mais um bocado, ainda teve mais uma ligeira demora mas lá acabou por ser. Na sequência de uma vitória fulcral em Camp Nou frente ao Barcelona numa partida onde até a continuidade de Zinedine Zidane estava a ser colocada em causa pela imprensa espanhola, o Real Madrid deslocou-se à Alemanha para defrontar o B. Mönchengladbach, conseguiu resgatar um empate nos últimos minutos depois de ter dois golos de desvantagem mas promoveu a estreia na presente temporada de Eden Hazard, que entrou com a equipa quase sem hipóteses e ajudou também no forcing final. No encontro seguinte, a primeira titularidade da época, o golo inaugural do resultado mais expressivo frente ao Huesca e 60 minutos de bom nível. O belga parecia estar de volta.

Sem contratações para 2020/21 na sequência do “plano ACS” colocado em prática por Florentino Pérez também no campeão espanhol (venda de alguns ativos, redução de dívida e aumento da liquidez na tesouraria), o sucesso do Real Madrid para a presente temporada passava também pelo rendimento de jogadores que tiveram rendimento mais irregular na última época, Hazard à cabeça. E com pouca margem de erro depois da surpreendente derrota em casa com o Shakhtar antes do empate na Alemanha, era também no internacional que se centravam atenções para resolver algum dos problemas que têm afetado os merengues, ainda com um chip idêntico ao do ano passado onde o peso do coletivo e o espírito resultadista impera mas que necessita de mais em termos ofensivos além do inevitável Karim Benzema. No entanto, o saldo na Champions era tudo menos promissor.

Quebrada a barreira do jejum sem golos na Liga mais de um ano depois, Hazard tinha como objetivo quebrar um outro hiato sem marcar golos na Liga dos Campeões, que perdura há 1.439 dias (e vai continuar) quando estava no Chelsea e marcou ao Qarabag tendo Antonio Conte como treinador nos londrinos. Estávamos a 22 de novembro de 2017, seguindo-se vários encontros em branco para uma estatística total de oito golos em 51 encontros, numa média bem abaixo do que tinha nas restantes provas. No entanto, e numa conta mais positiva, em 80 minutos com Hazard o Real Madrid conseguiu marcar cinco golos, quando antes marcara 12 em… 730 minutos. Era por isso que, antes do jogo, era avançada a possibilidade de haver um HBA na frente, com Hazard, Benzema e Asensio. E foi por isso que, na conferência, Zidane abordou as diferenças para o BBC com Benzema, Bale e Cristiano Ronaldo.

Vamos ter uma final mas a verdade é que cada dia em Madrid é uma final. Sabemos disso, estamos concentrados nisso. BBC, Hazard, Benzema e Asensio? Os jogadores que estão aqui querem fazer história. Esses três são importantes e de certeza que vão fazer coisas importantes. Sei que se fala que teremos de mudar algumas cosias na equipa e no plantel mas o que vejo lá dentro é que todos querem ganhar, algo que é muito bom para o treinador, que sou eu pelo menos de momento”, resumiu Zidane.

Conhecendo por antecipação o resultado surpresa na Ucrânia, com o B. Mönchengladbach a golear o Shakhtar por 6-0 e a subir de forma provisória à liderança do grupo, Real Madrid e Inter começaram o encontro num ritmo de velocidade e oportunidades inesperado para o início aguardado: Hazard assistiu Asensio na área para grande defesa de Handanovic (4′), Courtois evitou o primeiro golo do Inter após remate de Lautaro Martínez (11′), Arturo Vidal tentou a meia distância com a bola a sair a rasar o poste nas malhas laterais (14′). O encontro estava aberto e teria o golo inicial pelo Real Madrid a meio da primeira parte e com um erro de palmatória de Hakimi, lateral que esteve no B. Dortmund e que foi vendido esta época pelos merengues ao Inter, que pressionado tentou o passe atrasado para Handanovic, colocou a bola nos pés de Benzema e o francês não perdoou (24′).

Foi nesse período que começou a aparecer mais Hazard, arriscando com sucesso na esquerda o 1×1 e criando mais problemas a uma defesa do Inter que voltou a claudicar poucos minutos depois, com Toni Kroos a aproveitar um canto ganho pelo belga para colocar a bola ao primeiro poste e dar a Sergio Ramos o 100.º golo pelo Real Madrid num grande desvio de cabeça (33′). Tudo corria bem aos visitados, que tinham uma vantagem mais confortável para gerir mas que foi reduzida ainda antes do intervalo, com Barella a ter uma assistência de génio de calcanhar para Lautaro Martínez aparecer na área e rematar sem hipóteses para Courtois (35′).

Ficava tudo em aberto para uma segunda parte que pouco ou nada teve de Hazard e Asensio, nada teve de chances de golo na metade inicial e que mudou quase por completo de figura até um golo que contou a história que não se estava a passar: Perisic, aproveitando um erro de Varane e a passividade de Lucas Vázquez nas costas, rematou cruzado na área para o empate (68′), Lautaro Martínez ficou a centímetros de fazer a reviravolta numa tentativa em arco após erro de Mendy (75′) mas foi Rodrygo a recolocar o Real Madrid em vantagem, numa jogada construída por outro suplente utilizado, Vinícius, até ao remate certeiro do jovem avançado brasileiro (80′). Já nos descontos, Handanovic tirou novo golo a Benzema mas o campeão espanhol conseguiu mesmo a primeira vitória na Liga dos Campeões num encontro onde esteve demasiado próximo de ceder mas acabou por aguentar-se.