Buschan, Mykolenko e Boyko já se encontravam confinados, Georgy Tsitaishvili, Denis Garmash, Mikkel Duelund, Alexander Karavaev, Tudor Belutse e Mykola Shaparenko tiveram testes positivos na antecâmara do encontro em Barcelona. Ao todo, e contando apenas com jogadores sem olhar para técnicos e restante estrutura, o Dínamo Kiev do carismático Mircea Lucescu chegava a Camp Nou sem nove opções, muitas delas iniciais. Se a diferença entre os dois conjuntos no plano teórico já era grande, com tantas baixas tornou-se gigante. E o jogo iria sobretudo estar confinado ao jogo entre este Barça contra si mesmo, como tem acontecido desde o início da temporada.

Não é só Messi a ter saudades de Ronaldo — a Juventus também tem. E Morata lembrou-se disso três vezes

Logo após a derrota no clássico frente ao Real Madrid, o conjunto catalão teve uma grande resposta na deslocação a Turim para defrontar a Juventus, ganhando por 2-0 e assumindo a liderança isolada do grupo na Champions, mas voltou a marcar passo no regresso à Liga com um empate frente ao Alavés. Mais uma vez, entre um lado lunar que impede Ronald Koeman de conferir outra consistência e sustentabilidade ao projeto que tem vindo a trabalhar no regresso a Camp Nou, a equipa ficou curta. E a própria semana em termos de instabilidade institucional não era a melhor para os blaugrana, que se encontram numa situação muito complicada no plano financeiro (correndo até o risco de bancarrota caso não reduza a massa salarial em 30%) e com eleições marcadas para o final do ano.

“Percebo as críticas que têm sido feitas. Dois pontos nos últimos quatro jogos não são suficientes nem um registo bom, é normal que apareçam as críticas. Aceito-as e só posso continuar a trabalhar para melhorar as coisas. Sobre o jogo com o Dínamo Kiev, sei que as ausências têm influência na qualidade da equipa mas, como vimos na semana passada [n.d.r. há duas semanas], o Skhakhtar Donetsk também chegou com alguns jogadores de baixa a Madrid e ganharam ao Real. Não podemos pensar que terá assim tanto peso na forma de jogar deles”, destacou o holandês na habitual conferência de imprensa de antevisão do encontro com os ucranianos, falando não só das baixas no adversário mas também dos dois empates e duas derrotas seguidos que valem o 12.º lugar na Liga.

Messi? Todos têm a sua opinião e respeito isso mas só posso dizer que é um jogador muito, muito bom, o melhor do mundo. Vejo a ambição dele, vejo o seu carácter e não é um jogador difícil de treinar. Todos os treinadores são diferentes mas para mim é o meu capitão, falo com ele todas as semanas no balneário, sobre o que fazemos em campo. Temos uma boa relação”, comentou numa semana marcada pelas críticas de Quique Setién à relação que teve com o argentino em Camp Nou.

Mais uma vez, à semelhança de tantos outros encontros, foi o número 10 a desequilibrar no arranque da partida contra o Dínamo Kiev ganhando uma grande penalidade e inaugurando o marcador logo aos cinco minutos já depois de Griezmann ter visto o jovem Neshcheret, de apenas 18 anos, fazer a primeira de muitas intervenções ao longo do encontro. E ainda houve uma bola na trave de Dest, que como estava o jogo era mais ala do que lateral (9′). E mais uma grande jogada individual de Ansu Fati para defesa do guarda-redes ucraniano (14′). E mais um remate de Messi, prensado num adversário e a sair a rasar o poste da baliza ucraniana (17′). Bastava uma pequena aceleração dos catalães e o jogo conhecia um sentido único. O problema foi tornar-se demasiado fácil.

Ter Stegen, que regressava à equipa após lesão, teve uma primeira saída complicada entre os postes num centro rasteiro e fez de seguida uma defesa enorme após cabeceamento de Buyalskiy, sozinho na área (35′). As facilidades que os catalães concediam davam outro ânimo aos visitantes, que começavam a arriscar algumas transições com perigo perante uma equipa do Barcelona muitas vezes descompensada em termos defensivos. Pedri e Messi, em minutos seguidos, levaram Neshcheret a mais intervenções de grande qualidade antes de mais uma a remate de Ansu Fati sem ver sair a bola (41′, 42′ e 45′) mas o Dínamo Kiev acreditava que podia discutir a partida, algo que se confirmou ao longo da segunda parte onde o guardião germânico foi a grande unidade do Barça.

Logo a abrir a segunda parte, ainda dentro do minuto inicial, Tsygankov fez uma finta um pouco mais longa na área, preparou o remate mas Ter Stegen conseguiu defender para canto (46′). No seguimento dessa bola parada, Kedziora chegou mesmo a marcar mas o golo foi anulado porque a bola passou a linha de fundo quando fez o arco no cruzamento. E ainda houve nova oportunidade para Supriaha, em mais uma boa saída de Gerson Rodrigues (internacional luxemburguês que nasceu em Almada) mal defendida por De Jong que encontrou o alemão a defender com o pé para canto quando já se festejava no banco dos visitantes (55′). Messi, de livre direto, também ficou perto do golo mas as transições colocavam cada vez mais o Dínamo Kiev a aproximar-se do empate.

Numa ida de Gerard Piqué ao ataque, o encontro ficou sentenciado com um bom desvio de cabeça do central após cruzamento da esquerda de Ansu Fati (65′) mas continuou a ser Ter Stegen a brilhar, neste caso com Tsygankov a surgir mais uma vez isolado e pelo corredor central para nova defesa como se fosse um guarda-redes de andebol antes do 2-1 numa recarga na pequena área um minuto depois de Frenkie de Jong ter deixado de ser central (74′). E essa acabou por ser a grande nota da partida: mantendo a mesma intensidade ofensiva e tendo outra capacidade sem posse e nas transições, o Barcelona arriscava-se a golear; assim, correu o risco de sofrer o empate que traria redobradas dificuldades num encontro com tudo para ser um passeio. E não foi por acaso que, apesar do 2-0, o gesto mais comum de Ronald Koeman ao longo do jogo foi baixar e abanar a cabeça…