Não é todos os dias que uma pequena companhia como a norte-americana Shelby SuperCars (SSC) anuncia ao mundo que concebeu um hiperdesportivo capaz de deixar para trás os veneráveis Bugatti e Koenigsegg. Mas isso aconteceu, inclusivamente com direito a uma prova em vídeo que confirmaria a impressionante marca obtida pelo Tuatara: nem mais nem menos que 508 km/h, um novo recorde de velocidade.

508 km/h. SSC Tuatara bate Bugatti e Koenigsegg

Sucede que esse mesmo vídeo foi escrutinado por alguns “especialistas”, cujas dúvidas acerca da proeza rapidamente se difundiram nas redes sociais, questionando se realmente o recorde foi alcançado. Em causa, divergências de números, face à velocidade a que o hiperdesportivo alegadamente seguiria em determinados troços do percurso, os dados de GPS e as próprias imagens, que não batiam certo. A empresa tardou a reagir, mas depois de explicar que tudo se trataria de um problema de edição de vídeo e que tudo seria esclarecido com a divulgação completa das filmagens, vem agora dar a cara na pessoa do seu responsável máximo.

Jerod Shelby divulgou um curto vídeo onde reitera que o recorde foi mesmo alcançado, mas assume que vai desistir da homologação do resultado obtido a 10 de Outubro. É que, além das imagens terem suscitado dúvida, para o registo ser válido, é necessário que os dados GPS sejam inquestionáveis. E a Dewetron, empresa austríaca que seria responsável pelo esquema de medição utilizado na prova do SSC Tuatara, depressa se distanciou da polémica, realçando que nada tinha a ver com aquilo e que não poderia certificar o resultado, uma vez que ninguém da companhia acompanhou a prova. Pior, não há como validar os dados registados pelo seu equipamento, sem saber como é que este estava calibrado quando foi levada a cabo a tentativa de bater o recorde.

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Como se tudo isto não bastasse, o Guinness também se escusa a certificar o recorde, alegando que não houve nenhuma delegação presente, embora a SSC tenha contado com a participação de dois observadores independentes da organização.

Com toda a confusão que se gerou – e os recordes são habitualmente alvo de alguma discussão – , a corrida da Shelby agora faz-se contra o tempo. Mais que homologar o recorde, o fabricante norte-americano precisa de conter os danos reputacionais. Daí que Jerod Shelby afirme: “Temos que voltar a bater o recorde, de forma inegável e irrefutável.”

Veja aqui o vídeo que está na base da polémica gerada.

Na nova tentativa, para evitar passar pelo embaraço de voltar a ver contestado o registo do Tuatara, a empresa vai recorrer a equipamentos de medição de velocidade por GPS de diferentes fabricantes, os quais farão deslocar ao terreno as suas próprias equipas, a fim de certificar no local as condições e a calibração das máquinas.

Novidade é ainda o facto de a Shelby fazer questão de contar com testemunhas independentes, onde se incluem três dos youtubers que “levantaram a lebre”. Nos vídeos abaixo, pode ver como a prova do Tuatara foi questionada quanto à veracidade do recorde anunciado: