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A BBC publicou esta quinta-feira uma reportagem sobre o Benfica Campus, que descreve como “a maior linha de produção de estrelas da Europa” falando nos casos de João Félix, Bernardo Silva ou Rúben Dias (os dois últimos em Inglaterra, num Manchester City que conta ainda com João Cancelo). “Tenho o sonho de ver o Benfica ganhar a Liga dos Campeões com quatro ou cinco miúdos aqui formados a jogar na equipa”, admitiu na reportagem Rodrigo Magalhães, coordenador técnico da Academia dos encarnados. “Não acho que 470 jogadores na formação sejam muitos, é um investimento. Se compararmos o custo da compra de um jogador de topo com 22 anos relativamente ao que gastamos na formação, podemos fazê-lo 20 vezes e vai continuar a ser mais barato do que comprar um jogador já formado”, salientou. No entanto, entre a regra há sempre exceções. Neste caso, uma.

Darwin, a grande virtude entre os pecados de Jesus (a crónica do Benfica-Rangers)

Darwin Núñez, de 21 anos, foi contratado ao Almería, da Segunda Liga espanhola, por 24 milhões de euros, um valor recorde no clube para suprir uma lacuna no plantel das águias. Logo à chegada a Lisboa após as negociações, Rui Costa, administrador da SAD e agora vice dos encarnados, pediu apenas tempo, evitando qualquer tipo de pressão extra mas foi o próprio Jorge Jesus, ao sexto jogo oficial (quinto como titular) que admitiu ser difícil ficar muito tempo na Luz. “Acertámos em cheio. Ele é um miúdo, tem 21 anos, há muita coisa do jogo que ele ainda não sabe, vai aprender comigo e no Benfica. Toda esta capacidade de decisão, finalização e velocidade… Se este foi o jogador mais caro do Benfica, sem pandemia seria também o mais caro a sair do Benfica. Vai ser top no mundo. Infelizmente para mim, se calhar em pouco tempo vou perdê-lo”, disse após o jogo com o Lech Poznan.

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“Não… Como é que é possível? O Jorge [Jesus] às vezes fala demais. Ele fala muito, às vezes. Eu por acaso tive uma conversa com ele à noite, depois de ele dizer isso. Disse-lhe: ‘Mas oh Jorge, desculpa lá… Onde é que existem 150 milhões de euros para ele neste momento no futebol?’. E ele: ‘Ah! A cláusula é essa? Então pronto’. Agora, não há dúvida que estamos na presença de um jogador top. Ele sabe mas isto não é chegar e vender”, corrigiu uns dias depois Luís Filipe Vieira. No entanto, os números continuam a subir. E em flecha: em dez jogos feitos na Luz, oito como titular, Darwin Núñez marcou cinco golos e fez seis assistências, tendo ainda esse ponto de ver outros quatro golos marcados e anulados por posição irregular pelo VAR. Só na Liga Europa, o uruguaio tem quatro golos em dois jogos, número aumentado esta noite em que entrou para resgatar o empate com o Rangers.

“Cada vez que jogo com o Waldschmidt, vamos entender-nos ainda mais com o tempo. Vai ser uma dupla muito boa, ele é um avançado que joga muito bem. Quem jogar entre os três vai dar sempre o melhor em campo”, frisou Darwin Núñez na zona de entrevistas rápidas da SportTV, falando do golo que valeu o empate após assistência do alemão já depois de ter assistido Rafa para o 3-2. Eles estavam com 11 e nós com dez mas a equipa soube comportar-se e manter o resultado. Quando entrei, tentei dar o máximo”, acrescentou o jogador sul-americano que, contas feitas, está envolvido num golo por cada 66 minutos disputados (e já foram 728 esta época).

Vir para aqui foi uma decisão muito boa. Quando disseram que o Benfica me queria, não pensei duas vezes. Tenho de desfrutar ao máximo”, resumiu Darwin sobre os primeiros tempos na Luz.

“Foi um jogo difícil mas os jogadores do Benfica estão de parabéns. Esta equipa já é difícil 11×11, assim… Entrámos bem e estávamos a comandar o jogo além do golo, depois com a expulsão a equipa não se adaptou, sofreu dois golos e perdeu-se emocionalmente e taticamente. A jogar com dez tudo é diferente. Foi fundamental chegar ao intervalo, pois estávamos a deixar os corredores ao Rangers e os dois laterais têm muita qualidade mas soubemos esperar o momento. Foi o que disse aos jogadores ao intervalo, que eles iam ter mais bola, que íamos ter um dois momentos para marcar e que não podíamos era falhar. Depois houve a entrada do Darwin, que sabia o que podia fazer contra os dois centrais. Houve dois ou três jogadores que mostraram crença de campeão, é assim que crias equipas. Este jogo foi muito mais difícil contra uma equipa muito melhor que no último jogo no Bessa. Dou os parabéns aos jogadores e é um ponto importante”, analisou Jorge Jesus à SIC no final do encontro.

“Parece que o adversário tem mais tempo de bola, é normal para quem tem mais jogadores. Eles circularam mais a bola, só precisávamos de fechar melhor os corredores, mesmo assim não consegui fechar o corredor do lado esquerdo, e tivemos as nossas oportunidades. O miúdo Darwin fez a diferença”, acrescentou a propósito de um jogo onde o Benfica acabou por conseguir bater um recorde, tornando-se a equipa com mais encontros consecutivos na competição sem sofrer derrotas como visitado (24, mais uma do que o Zenit).