O juiz Kassio Nunes Marques assumiu esta quinta-feira o lugar no Supremo Tribunal Federal (STF), cargo para o qual foi indicado pelo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e aprovado quase por unanimidade pela câmara alta do Congresso do país.

Nunes Marques, de 48 anos, preencheu a vaga aberta em outubro passado com a reforma do magistrado Celso de Mello, que era juiz do STF desde 1989 e aposentou-se aos 75 anos, limite de idade de reforma imposto pela Consituição. O presidente do STF, Luiz Fux, foi o único a discursar no evento e limitou-se a “receber” Nunes Marques, a quem elogiou pelos seus “notáveis conhecimentos jurídicos” e pela sua trajetória profissional.

O Presidente Bolsonaro também foi uma das poucas pessoas presentes na cerimónia, realizada quase inteiramente através de uma transmissão na internet devido à pandemia de Covid-19, que já deixou mais de 161 mil mortes no Brasil e 5,5 milhões de infeções confirmadas.

No mês passado, em evento semelhante, mas presencial, Fux foi investido como novo presidente do STF numa cerimónia que reuniu uma dezena de pessoas, entre elas o próprio magistrado. Na sequencia dessa sessão, diversas autoridades presentes na cerimónia testaram positivo para a Covid-19. O novo membro do STF, organismo formado por onze magistrados, é conhecido no meio jurídico como conservador, discreto e praticante da religião católica.

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Bolsonaro prometeu que o próximo membro do Supremo Tribunal Federal seria “terrivelmente evangélico” em 2019, porque “o Estado é laico” mas “os brasileiros são cristãos”, por isso a sua decisão de nomear Nunes Marques foi muito mal recebida pelo pastores de igrejas pentecostais, que constituem sua base política.

De qualquer forma, a nomeação de Nunes Marques para o STF, ainda que com algumas dúvidas, foi aprovada quase por unanimidade pelos grupos evangélicos e de extrema-direita com assento na Câmara alta do Congresso brasileiro, que por imperativos constitucionais tiveram de ratificar a indicação de Bolsonaro.