A negociação com o PSD com vista a um acordo para a revisão constitucional partiu esta quarta-feira à noite, segundo o líder do Chega André Ventura que convocou uma conferência de imprensa, esta quinta-feira no Parlamento, para anunciar que por causa disso o partido que lidera não estará disponível para viabilizar um governo liderado pelo PSD nos Açores.

“O Chega não vai aceitar um acordo para acontecer o que viu acontecer com o PS nos últimos 20 anos”, disse André Ventura lançando de Lisboa o repto aos dois deputados eleitos pelo Chega nas eleições regionais nos Açores: “Não se comprometam com nenhuma negociação com o PSD nos Açores porque o Chega não estará disponível para viabilizar nenhuma das soluções” de Governo. “Há um Chega”, disse Ventura para defender a mistura entre uma questão do plano nacional (a revisão constitucional) e uma do plano regional (a negociação para a formação de um Governo nos Açores).

André Ventura garante que tem estado a negociar com “vários dirigentes do PSD” — embora não diga com quem — e que havia “pontos de confluência” com Rui Rio, nomeadamente sobre a diminuição do número de deputados nos parlamentos nacional e regional dos Açores, a criação de um gabinete contra a corrupção e o clientelismo nos Açores e o fim da subsídio dependência na região. Mas que, ainda assim, o PSD se recusou a participar no processo de revisão constitucional aberta pelo Chega.

Sobre os Açores e a possibilidade de o Chega integrar um acordo para viabilizar um Governo de direita, Ventura disse que “essas negociações estão suspensas devido à não participação do PSD no processo”. Admite voltar à mesa se os sociais-democratas se disponibilizarem para acompanhar o Chega na Assembleia da República, até porque houve “conversações no sentido de uma aproximação que era frutuosa”, afirma.

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Mas “neste ponto, o Chega não não tem outra solução se não inviabilizar qualquer solução de Governo neste quadro parlamentar na região autónoma dos Açores”. “Se o PSD convergir nestes pontos, segunda-feira voltamos às negociações”, admitiu André Ventura ao mesmo tempo que fechou a porta.

Não deixa, no entanto, de atirar já ao PSD que acusa de ter “medo de estado com o Chega e que o PS venha dizer que está a negociar com o esquerda e que isso é impossível e em França ninguém negoceia com Marine Le Pen”. E também diz que o PSD estava convencido que o Chega iria sempre aceitar viabilizar o Governo açoriano por receio de, em novas eleições, perder os dois eleitos que teve nos Açores. “Arrisquem”, atirou ao PSD garantindo que se for novamente a votos nos Açores aumenta o número de eleitos.

Esta manhã, José Pacheco, secretário-geral do Chega/Açores e recém-eleito deputado açoriano, já dava conta dessa tensão evidente. “Nós não somos as meninas do Rui Rio. Não somos reféns do PSD, quando muito somos parceiros de negociações. Mas parece que há uma parede de betão”, lamentava.