Uma equipa de cientistas de várias universidades, como a de Columbia e a de Cornell, acredita ter desenvolvido um tratamento que poderá ser capaz de bloquear o novo coronavírus no nariz e nos pulmões. Essa foi, pelo menos, a conclusão a que chegaram em experiências feitas com furões.

O estudo, publicado no repositório “bioRxiv”, ainda não foi alvo de revisão pelos pares, mas foi avaliado por vários especialistas para o The New York Times, que avança a notícia. Não é certo que o spray, que a equipa de cientistas garante não ser tóxico, tenha o mesmo efeito em humanos. Mas, a ter, é um passo no combate à pandemia.

O assunto está a ser estudado há meses por cientistas da Universidade de Columbia, do Erasmus Medical Center nos Países Baixos e a Universidade de Cornell, em Nova Iorque. Para testar o produto em humanos, a equipa precisa agora de financiamento adicional, diz o jornal.

A experiência com furões que sugere que o novo coronavírus se transmite pelo ar

O spray ataca o vírus diretamente, refere a equipa. O spray liga-se às células do nariz e dos pulmões e dura cerca de 24 horas. Matteo Porotto, um dos autores do estudo, resume assim o processo: “É como se fechássemos um fecho éclair, mas colocássemos outro, no lado oposto, para que os dois lados não se encontrem.” Já Peter Hotex, da Universidade de Medicina de Baylor, no Texas, considera que a terapia “é muito promissora”.

O spray foi administrado em seis furões, que foram divididos em pares e colocados em três gaiolas. Em cada gaiola foram colocados outros dois furões que receberam um spray placebo e um furão que os cientistas infetaram deliberadamente com SARS-CoV-2. Depois de 24 horas juntos, nenhum dos furões pulverizados com o spray contraíram a doença; todos os furões que receberam o placebo testaram positivo.

“A replicação do vírus foi completamente bloqueada”, escreveram os autores. “Se resultar bem em humanos, será possível dormir numa cama com alguém infetado ou estar com os filhos infetados e estar a salvo.”

Os furões costumam ser usados ​​em investigações sobre a gripe, a SARS e outras doenças respiratórias porque podem apanhar o vírus através do nariz da mesma forma do que os humanos.