A plataforma Brigada Estudantil denunciou esta sexta-feira a alegada falta de capacidade e condições da Universidade de Coimbra para lidar com casos de Covid-19 nas residências de estudantes, acusações negadas pela instituição de ensino.

A plataforma que junta vários coletivos de estudantes referiu, em comunicado, que os Serviços de Ação Social da Universidade de Coimbra, “mesmo após terem conhecimento de casos positivos, têm falhado em comunicar com os estudantes, não garantindo a disponibilização de testes”.

“As residências universitárias de Coimbra não têm recebido o devido apoio por parte dos SASUC, levando a que vários estudantes se encontrem sem resposta ou condições para conseguirem viver e combater uma pandemia“, revelou a plataforma, em comunicado enviado à agência Lusa.

Questionada pela agência Lusa, a Universidade de Coimbra frisou que não há, de momento, “qualquer estudante infetado” por Covid-19 nas residências dos SASUC, sendo que todos os casos identificados “já tiveram entretanto alta médica”, não divulgando qual o número de casos, assegurando apenas que foram “em número bastante reduzido”.

Entre os problemas denunciados pela plataforma Brigada Estudantil, estão poucos quartos para isolamento em cada residência, as refeições não serem providenciadas pelos SASUC a alunos infetados ou em isolamento, não ser garantido transporte quando o estudante é enviado para outra residência com um piso dedicado a isolamento e falta de informação disponibilizada aos residentes.

Já a Universidade de Coimbra realçou que os SASUC têm assegurado, quando solicitado, o transporte, bem como “a entrega de refeições e/ou transporte de bens de primeira necessidade”, sendo também disponibilizado apoio e acompanhamento médico, “para além de uma linha emocional dedicada à comunidade académica”. A instituição refere ainda que os quartos para isolamento nas residências “têm sido suficientes para as necessidades”.

Luísa Almeida, estudante que faz parte da Brigada Estudantil, contou à agência Lusa o caso de uma estudante que apresentava sintomas de Covid-19, “avisou os SASUC e eles desvalorizaram”.

Disseram para esperar mais um bocado. A rapariga ficou cada vez pior, ligou outra vez aos SASUC e eles apenas disseram para ir para o quarto de isolamento ou ir para casa. E já em casa da família, testou positivo”, afirmou a estudante da Faculdade de Economia, salientando que as colegas da residência dessa estudante não foram informadas pelos SASUC. As colegas que tinham estado em contacto com a jovem infetada “perguntaram aos SASUC o que deveria ser feito e disseram-lhes para viverem a sua vida normal”, frisou a estudante.

A Universidade de Coimbra disse à agência Lusa que “essa informação não corresponde à verdade”, salientando que todos os casos identificados “são devidamente acompanhados”, sempre “em estreita articulação e com partilha mútua de informações com as autoridades de saúde”. “A determinação dos contactos de risco e de quais as medidas a serem tomadas compete às autoridades de saúde”, acrescentou a instituição.

Uma estudante a morar numa residência da Universidade de Coimbra e que pediu o anonimato referiu que lhe foi pedido pelos SASUC para ser transferida para outra residência após ter tido conhecimento que esteve em contacto com um caso positivo na sua família. “Nem uma hora estive no quarto de isolamento da minha residência e disseram-me que tinha de ser transferida para uma residência em que há um piso de pessoas em isolamento“, contou. Sem carro e sem lhe ser assegurado transporte pelos SASUC, a estudante teria que escolher “entre um Uber ou apanhar o autocarro”, disse. “Apanhei o Uber, porque apanhar os transportes públicos seria totalmente irresponsável”, referiu.

De acordo com a estudante, estando em isolamento, os SASUC asseguram, mediante pagamento, duas refeições das cantinas por dia – almoço e jantar -, que são entregues à hora de almoço. “Só há almoço e jantar. Guardo as frutas e o pão para as outras refeições. Mas a entrega das refeições só funciona durante a semana. Durante o fim de semana, se ainda estiver cá, terei de arranjar outra forma de me alimentar”, contou.