O jogo em si já se tornou um histórico do futebol espanhol, a vitória da equipa do Betis em Camp Nou por 4-3 em novembro de 2018 ainda reforçou mais esse estatuto, a importância de um triunfo sobretudo para o Barcelona dava um carácter ainda mais decisivo ao duelo. No entanto, e como em todos os confrontos mediáticos, há sempre uma história paralela que o acompanha. Desta vez teve como protagonistas Joaquín, antigo internacional espanhol que passou por Valencia, Málaga e Fiorentina antes de regressar à sua casa em Sevilha, e o treinador Ronald Koeman, atualmente nos catalães e com quem se cruzou em 2007/08. Mais de uma década depois, não se esqueceram.

Da bancarrota do clube à falência da defesa: Barcelona regressa às vitórias mas Koeman só abanou e baixou a cabeça…

“Não foi a experiência mais bonita da minha carreira desportiva, não foi agradável, para dizer a verdade. Não quero falar porque me dói muito o que se passou lá, estive mal. Nem como roupeiro quereria Koeman. Felizmente, não durou muito e conseguimos salvar a época. Não vou cumprimentá-lo e ele também não vem ter comigo. O que se viveu ali [no Valência] foi mau”, comentou o extremo já de 39 anos ao El Larguero, da Cadena SER. “Entendo que é um tema interessante mas isso não me incomoda. Se ele quer falar, é um problema dele. Eu estou focado no jogo e não entro nessas coisas. Sabemos que é alguém que fala bem…”, relativizou o holandês em conferência.

Estavam abertas hostilidades na antecâmara de um encontro fundamental para a carreira do Barça, que ocupava um inesperado 12.º lugar da Liga e com uma série de quatro encontros sem ganhar na competição e com apenas dois pontos em 12 possíveis. Nem mesmo as vitórias, como a que aconteceu esta semana com o Dínamo Kiev, eram suficientes para acalmar as hostes, muito por culpa da exibição abaixo do esperado onde a colocação de De Jong como central tendo à frente Busquets e Pjanic foi tudo menos uma opção ganha. Mesmo com nove jogadores de fora por infeção com Covid-19, os ucranianos podiam ter conseguido outro resultado. E, além de Koeman, as atenções voltaram a focar-se em Messi, que continuava sem marcar de bola corrida na presente época.

“Acredito que os jogadores estão comprometidos como nós no nosso trabalho. Estão com vontade, treinam bem, se as coisas não funcionam ficam chateados… Já vimos as imagens suficientes que comprovam isso mesmo. Se não tivessem compromisso, era sinal que o meu trabalho não estava a funcionar. Messi? É um grande jogador, muito importante sobretudo para o ataque, que queremos ter sempre em campo com diferentes posições, de falso ‘9’ a extremo. Em termos anímicos também o vejo bem e forte. Está a mostrar muito mas como qualquer jogador tem momentos mais complicados em que a bola não entra mas o dia vai chegar”, salientou.

Chegaram as equipas iniciais e, surpresa das surpresas, o argentino surgia no banco de suplentes, uma opção que não demorou a ser justificada pelos responsáveis técnicos do Barcelona pelo excesso de jogos e porque poderia ter um outro peso saindo para o encontro a meio. Assim foi. E se os catalães até conseguiram ter um bom caudal ofensivo na primeira parte, o resultado ao intervalo mostrava outra realidade: já depois de um falhanço incrível de Griezmann sozinho na área (5′) e de um remate a rasar o poste de Ansu Fati (6′), Ter Stegen evitou o golo de William Carvalho na sequência de um canto (8′) e Dembelé inaugurou o marcador numa boa jogada individual com remate de pé esquerdo (22′). Mais tarde, Griezmann, na sequência de uma falta na área de Mandi sobre Fati, ainda permitiu que Bravo defendesse uma grande penalidade (33′) antes do balde de água fria em cima do intervalo quando Sanabria encostou após assistência de Tello e fez o empate (45+2′).

Em vez de ir para o balneário, Messi saiu do banco (ou da bancada), tirou a máscara, deixou o casaco e esteve uns minutos em exercícios de aquecimento. Ansu Fati tinha sido o escolhido para sair, o argentino colocou a braçadeira e deu início ao segundo tempo. Só essa entrada pareceu condicionar o Betis em termos defensivos porque muitas vezes o argentino nem precisa de tocar na bola para impor respeito. Foi isso que aconteceu, literalmente: após uma boa subida pela esquerda de Jordi Alba, o número 10 deu um salto para não tocar na bola e acabou por fazer quase uma assistência para Griezmann quebrar a maldição e apontar sozinho na área o 2-1 (49′), dando arranque a mais uma avalanche ofensiva que levou a mais um golo, de grande penalidade, por Messi, num lance que valeu vermelho direto a Mandi (61′). Loren Móron ainda reduziu aproveitando mais um dos invariáveis erros da defesa catalã (73′) mas o argentino fez o 4-2 no primeiro golo de bola corrida da época (82′) e Pedri fechou as contas (90′) já com o português Francisco Trincão em campo, concluindo uma goleada natural para o Barcelona.

Lionel Messi quebrou um jejum de 91 dias sem marcar de bola corrida, 122 apenas em relação à Liga. E com isso voltou a igualar o número de golos marcados por Cristiano Ronaldo de bola corrida (615). Podem ficar de fora de quando em vez, podem até começar no banco mas a dupla extraterrestre continua a somar recordes do outro mundo quando está em campo. Neste caso, o Barcelona agradece. E Ronald Koeman também.