O líder do CDS-PP deseja que os “ventos dos Açores” anunciem um fim de ciclo do PS e que os democratas-cristãos estejam disponíveis para alternativas à direita para governar Portugal.

“O que peço é que em vez de criticarmos o nosso próprio partido ou alegar sondagens que nós sempre contrariámos em urnas, como aconteceu nos Açores (…) , por favor destaquemos aquilo que o CDS está a fazer de bem – e que é tanto – e embalemos para o futuro, esperando que os ventos dos Açores anunciem este fim de ciclo do PS e que o CDS esteja disponível para alternativas à direita em Alternativa Democrática, em Aliança Democrática para governar Portugal”, afirmou Francisco Rodrigues dos Santos.

O líder centrista falava em Fátima, no distrito de Santarém, no encerramento do Conselho Nacional da Juventude Popular, antes de ser conhecido que o líder do PSD/Açores, José Manuel Bolieiro, foi indigitado presidente do Governo Regional pelo representante da República, Pedro Catarino, na sequência das eleições de 25 de outubro.

O presidente do CDS destacou ainda que o partido mostrou-se “insubstituível e incontornável nos Açores para formar uma nova” Aliança Democrática (AD), “para governar, pela primeira vez na História, aquela região autónoma”.

“Já tivemos excelentes líderes do CDS, já tivemos fantásticos dirigentes nacionais, mas hoje, em 2020, com um ex-militante da Juventude Popular a presidir ao CDS nós conseguimos forjar uma AD para governar pela primeira vez os Açores”, adiantou, reconhecendo que o partido tem “enormes desafios pela frente”.

Dirigindo-se aos jovens centristas presentes, Francisco Rodrigues dos Santos destacou que o CDS é de “uma direita que não quer ser radical no protesto, porque agora existem outras forças e alguns dizem que são radicais de direita”.

“Não, não são radicais de direita, são radicais do protesto e da indignação que exploram o medo onde quer que ele haja, à esquerda, à direita ou ao centro, e utilizam um estilo, uma forma e um discurso que não está em consonância com as regras do tabuleiro institucional e de decência que o CDS habituou e nunca prescindiu delas”, declarou.

Sem mencionar a quem se referia, o dirigente democrata-cristão garantiu: “Nós não queremos ser iguais a eles, nós não somos iguais a eles”.

“Nós somos de uma direita decente, de uma direita de convicções, de uma direita intransigente nos valores em que acredita, mas não somos uma direita que está disponível para dizer tudo e o seu contrário, fazer todas as incoerências possíveis, subtrair à direita para fazer favores à esquerda, de uma direita que se faz passar por direita sem o ser, para depois de resultados eleitorais contados em urnas prejudicar alianças à direita para governar o nosso país”, acrescentou Francisco Rodrigues dos Santos.