Dark Mode 168kWh poupados com o Asset 1
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica. Saiba mais

Logótipo da MEO Energia

A cara deste Sérgio não engana (a crónica do FC Porto-Portimonense)

De Sérgio (Oliveira), por Sérgio (Conceição), como Pepe, para Reinaldo (Teles): médio e capitão na ausência foi a figura da reviravolta do FC Porto frente ao Portimonense e "assinou" renovação (3-1).

i

Sérgio Oliveira fez duas assistências e um golo na reviravolta do FC Porto frente ao Portimonense antes da paragem na Primeira Liga

AFP via Getty Images

Sérgio Oliveira fez duas assistências e um golo na reviravolta do FC Porto frente ao Portimonense antes da paragem na Primeira Liga

AFP via Getty Images

Era algo quase paradoxal mas que podia acontecer este domingo no Dragão: apesar de ficar pela primeira vez fora do banco do FC Porto depois da polémica expulsão no final do encontro em Paços de Ferreira (e tudo aquilo que se seguiu, incluindo a conferência do técnico a explicar tudo o que se tinha passado e não estava no relatório de Nuno Almeida), Sérgio Conceição podia isolar-se como o terceiro treinador de sempre com mais vitórias pelos azuis e brancos, ultrapassando Jesualdo Ferreira e ficando apenas atrás dos históricos José Maria Pedroto e Artur Jorge. Para isso, a equipa teria de abandonar as duas caras que apresentara desde o início da época e assumir a versão dominadora, eficaz e intensa da Champions. E esse era o maior desafio para o jogo com o Portimonense.

FC Porto vence Portimonense por 3-1 e regressa às vitórias na Liga

“A semana passada foi toda a falar da expulsão e esqueceram-se de dar mérito ao P. Ferreira, ao Boavista [pela vitória com o Benfica]. Se calhar a intenção é essa. Esqueceram-se da grande vitória europeia que o FC Porto teve e que infelizmente as outras equipas portuguesas não tiveram. Isso não foi falado na televisão. O que falaram foi da reação que o árbitro teve, do Sérgio Conceição, se foi a forma de caminhar, se foi mais rápida ou mais lenta… Falei com o meu filho sobre o tal olhar, a cara. E o meu filho disso: ‘Oh papá, quando me metes de castigo é aquela cara que tu metes’. E eu perguntei-lhe: ‘Mas tu não me expulsas de casa pelo olhar, pois não?’. Sinceramente não sei o que dizer. O que não se falou é que o FC Porto, tirando as equipas dos campeonatos mais fortes, do Big Five, é a primeira equipa do ranking da UEFA, tivemos mais uma vitória saborosa na Champions e não se falou e ouviu-se esta história de Paços de Ferreira, dos erros do Nuno Almeida…”, lamentou o treinador.

“Expulsei-te pela tua cara”: Sérgio Conceição conta toda a história do vermelho “mais ridículo” da carreira

“Toda a gente tem de mudar o chip, não são só os jogadores, é todo o ambiente. Acho que aconteceu um mau jogo [em Paços de Ferreira], talvez o pior jogo da minha carreira como treinador e já tive oportunidade de dizer isto aos jogadores, mas estes tropeções acontecem. Agora não há nada a fazer. É olhar para aquilo que podíamos ter feito, estar nesse estado de alerta, desconfiar do poderio do adversário. Isso não é um trabalho só dos jogadores, é um trabalho também do treinador e de todos os que rodeiam. Quando ganhamos eu falo desde o presidente ao cortador da relva, quando perdemos é a mesma coisa. Cada um tem de assumir a sua responsabilidade”, referiu ainda a esse propósito, naquela que foi a segunda derrota em quatro jogos (e apenas uma vitória).

Sobre a questão de Vítor Bruno estar no banco, Sérgio Conceição não se mostrou preocupado. “Isto é como aqueles casais que se conhecem há algum tempo, às vezes através de um simples olhar já sabemos o que é que o outro tem de fazer no treino. O conhecimento é grande, está completamente identificado com as minhas ideias e vai ser um grande treinador no futuro”, disse. Sobre a ausência de Pepe, o técnico confirmou apenas que ficaria de fora por questões físicas, numa semana em que prolongou contrato até aos 40 anos. E esse seria um desafio extra, como aconteceu em Paços de Ferreira: a falta de um líder em campo para segurar a equipa na adversidade. Porque esse foi também o problema na última derrota – não haver um timoneiro que levasse a equipa para a frente quando os dragões mais precisavam, como Sérgio Oliveira tentou com a voz. Não conseguiu. Hoje voltou a tentar.

Na antecâmara do encontro, algumas imagens mostraram uma homenagem de vários elementos da claque dos Super Dragões em frente ao Hospital de São João ao “tio Reinaldo”, Reinaldo Teles, que continua nos Cuidados Intensivos com um quadro clínico grave mas estável após ter contraído o novo coronavírus. Até mesmo em dia de jogo, os azuis e brancos não esqueceram um dirigente histórico do clube, mostrando numa só imagem o que mil palavras não conseguiriam descrever tão bem sobre o que é o ADN da família FC Porto. Foi isso que se foi perdendo até à chegada de Sérgio Conceição, foi isso que não se sentiu em alguns jogos na Liga esta época. E é aqui que entra de novo Sérgio Oliveira, que até mesmo jogando mais “desprotegido” no meio-campo depois da saída madrugadora de Uribe deu o grito de revolta em desvantagem e fez as duas assistências para a reviravolta entre outros pontos de destaque numa exibição que merecia o golo que Samuel evitou já no último quarto de hora mas que apareceu ao cair do pano, em mais uma boa subida à área dos algarvios. Se Pepe foi o primeiro a renovar pelo que representa na equipa e para o clube, o médio terá de ser o próximo pelas mesmas razões.

Ficha de jogo

Mostrar Esconder

FC Porto-Portimonense, 3-1

7.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: António Nobre (AF Leiria)

FC Porto: Marchesín, Wilson Manafá (João Mário, 90+2′), Mbemba, Sarr, Zaidu, Sérgio Oliveira, Uribe (Taremi, 31′); Otávio (Romário Baró, 90+2′), Corona, Luis Díaz (Grujic, 68′) e Marega (Nakajima, 90+2′)

Suplentes não utilizados: Diogo Costa, Diogo Leite, Evanilson e Fábio Vieira

Treinador: Sérgio Conceição (substituído no banco pelo adjunto Vítor Bruno)

Portimonense: Samuel; Moufi (Fali Candé, 67′), Maurício (Welinton, 67′), Willyan, Possignolo, Anzai; Dener, Lucas Fernandes (Fernando, 60′), Anderson (Júlio César, 77′), Aylton Boa Morte e Beto

Suplentes não utilizados: Gonda, Rómulo, Luquinha, Tagliapietra e Safawi

Treinador: Paulo Sérgio

Golos: Beto (14′), Mbemba (45+3′), Taremi (46′) e Sérgio Oliveira (89′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Sérgio Oliveira (56′), Corona (62′), Maurício (64′), Mbemba (74′), Dener (74′) e Júlio César (89′)

Mantendo o mesmo onze que ganhou ao Marselha, com Corona a começar mais no corredor central mas trocando de quando em vez com Otávio tendo Marega sempre como referência ofensiva, o FC Porto teve dificuldades em assentar jogo nos minutos iniciais, só conseguiu trocar bola à vontade em zonas longe de perigo e teve ainda essa condicionante de, quando o mexicano recebia com possibilidade de virar na direção da baliza, haver faltas que quebravam logo à nascença a jogada. Otávio, num lance onde ganhou dois ressaltos, tentou a meia distância por cima mas havia pouco jogo ofensivo dos azuis e brancos (11′). Curto na frente, descoordenado atrás: na primeira boa saída após recuperação que os algarvios desenvolveram, Moufi subiu pela direita para fazer um cruzamento perfeito ao segundo poste que passou por cima de Mbemba e Beto, nas costas, fez o 1-0 (14′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do FC Porto-Portimonense em vídeo]

Pela quinta vez em sete jogos, o FC Porto começava a perder (algo “anormal” na última temporada). E sabia que, desses, apenas conseguiu a reviravolta frente ao Sp. Braga, perdendo com o Marítimo e em Paços de Ferreira e não indo além do empate em Alvalade. Por indicação do cimo da bancada para o banco, Vítor Bruno colocou alguns elementos logo em aquecimento precavendo possíveis alterações antecipadas e o cenário foi ganhando peso com as notórias dificuldades em criar perigo no jogo organizado, sobrando dois lances de Uribe na sequência de cantos (o colombiano tornou-se agora a grande referência em lances de estratégia) e mais uma tentativa de Luis Díaz de meia distância até à primeira meia hora, em que a muralha defensiva dos algarvios ia chegando para os recados.

Com alguma surpresa pelo que se tinha passado até aí, Sérgio Conceição abdicou de Uribe, que estava a ser dos melhores nas funções que tinha para cumprir, recuou Otávio e lançou Taremi. E mais do que o iraniano conseguiu fazer (e estamos falar de um jogador que no clássico em Alvalade entrou em campo e passados 30 segundos ficou muito perto de marcar…), foi aquilo que o Portimonense deixou de conseguir fazer que inverteu a história do jogo. Luis Díaz, numa jogada em diagonal onde foi da esquerda à direita em fintas, rematou às malhas laterais, Sérgio Oliveira teve um livre por cima, Marega ganhou espaço antes de ver o remate cortado para canto e, já depois dos dois minutos de compensação dados por António Nobre, Mbemba empatou após canto (45+3′).

Os algarvios protestavam com o árbitro por ter ainda deixado que a bola parada fosse marcada, esquecendo-se em paralelo do erro de marcação ao segundo poste que permitiu que a principal ameaça no jogo aéreo dos portistas cabeceasse sem oposição para a baliza de Samuel. Aliás, esse continua a ser o problema da equipa de Paulo Sérgio e que impede que os algarvios não estejam mais em cima na classificação: os lapsos momentâneos, sejam individuais ou coletivos, que continuam a penalizar em demasia o percurso esta temporada. E que apareceram outra vez logo a abrir o segundo tempo, com Corona a fazer um lançamento rápido na direita, Sérgio Oliveira a receber sozinho e com espaço sem opositor, cruzamento para o coração da área e cabeceamento de Taremi para o 2-1 (46′).

Com o FC Porto em vantagem, as características do encontro foram mudando. A qualidade na posse aumentou, o domínio na zona do meio-campo também, a capacidade de fechar espaços às transições dos algarvios melhorou. Dener, num cabeceamento após canto, teve a única grande oportunidade para poder ainda chegar ao empate mas, antes e depois, Sérgio Oliveira, que já tinha estado nos dois primeiros golos, estava apostado em deixar ainda uma marca maior no encontro. Samuel, numa primeira instância, ainda conseguiu evitar essa intenção com uma defesa apertada (75′) mas nada conseguiu fazer na segunda tentativa, que fixou o 3-1 final aos 89′. O melhor em campo somou às duas assistências um golo. Mais um. Mas sobretudo fez-se ouvir, a liderar e a assumir o papel de líder em campo. Sérgio Conceição ficou na bancada mas a cara deste Sérgio, o Oliveira, não engana.

Recomendamos

A página está a demorar muito tempo.