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Jesus e o milagre da não multiplicação: a equipa que ia jogar o triplo sofreu três pela terceira vez (a crónica do Benfica-Sp. Braga)

Seferovic foi o único que ficou bem numa fotografia onde o Sp. Braga ganhou ao Benfica (3-2), Carvalhal surpreendeu Jesus (enquanto houve pulmão) e a defesa encarnada voltou a ser o elo mais fraco.

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Seferovic entrou ao intervalo, marcou dois golos, obrigou ainda Matheus a uma grande defesa mas não conseguiu evitar derrota do Benfica na Luz

NurPhoto via Getty Images

Seferovic entrou ao intervalo, marcou dois golos, obrigou ainda Matheus a uma grande defesa mas não conseguiu evitar derrota do Benfica na Luz

NurPhoto via Getty Images

Mal terminou o encontro com o Rangers, ainda no meio de alguma euforia pela forma como o Benfica resgatou o empate nos últimos minutos mesmo reduzido a dez na maior parte do encontro, Jorge Jesus saiu disparado pelo campo. Cumprimento Weigl, foi direto a Rafa nem reparando que ali ao lado estava Vertonghen, deu um abraço e umas palmadas no português, soltou depois umas palavras. Para o técnico, o avançado tinha sido o MVP do jogo (que pela influência no resultado foi Darwin) e essa imagem foi muito dissecada nas horas seguintes. No entanto, e nesse trajeto, houve um outro pormenor que passou despercebido: as palavras que soltou para Grimaldo, então mais afastado. E que se perceberam melhor na conferência de imprensa, quando lamentou as dificuldades defensivas em travar o lado direito dos escoceses. Começava a ser escrita aí a história da receção ao Sp. Braga.

Benfica-Sp. Braga. Começa a partida na Luz, com Samaris como novidade (1′)

“Acho que chegam os dois bem porque tanto o Braga como Benfica estão a fazer uma boa Liga Europa. Penso que o jogo que o Sp. Braga registou com o Leicester não vai ter consequências negativas, tal como os próprios jogadores disseram no final do jogo em Inglaterra. É uma das boas equipas do futebol português, disputa todos os jogos para ganhar, quer seja em Portugal ou na Europa. Nós viemos de uma grande recuperação, onde estávamos com dez e a perder com o Rangers e eles perderam. Nada mais”, começou por salientar o técnico dos encarnados.

“Os números provam que somos uma equipa forte a atacar, os números mostram que não somos uma equipa má a defender. O que é que isto representa? Que a última linha, os últimos jogadores, estão a treinar comigo há cerca de quatro meses, mas este ano tem sido um pouco atípico porque estou sempre a mudar. Aquela linha de quatro, tirando o guarda-redes, estou sempre a alterar. E, como resultado disso, ela ainda não está tão aprumada. Agora os jogadores vão para a seleção e também não vai haver tempo. As minhas ideias foram elogiadas na Europa aquando da minha primeira passagem pelo Benfica mas não estamos tão fortes como normalmente estaríamos”, assumiu. Traduzido por miúdos, mais mudanças à vista. Quais? Essa era a questão.

Se do meio-campo para a frente as opções iniciais foram previsíveis, com Pizzi a voltar a merecer a titularidade após a substituição madrugadora para equilibrar a equipa depois da expulsão de Otamendi e Rafa a manter-se no apoio à dupla atacante Waldschmidt-Darwin Núñez, do meio-campo para trás houve algumas surpresas. Ou duas, sobretudo: Gilberto entrou no lugar de Diogo Gonçalves, como era projetado, mas Grimaldo continuou no banco em vez de Nuno Tavares apesar de ter dado sinais físicos de que estaria recuperado da lesão, ao passo que no meio do corredor central a aposta não recaiu nem em Gabriel, nem em Weigl mas sim em Samaris. Com apenas 12 minutos jogados na presente temporada, o grego era lançado de início para tentar estabilizar a equipa.

Ficha de jogo

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Benfica-Sp. Braga, 2-3

7.ª jornada da Primeira Liga

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Artur Soares Dias (AF Porto)

Benfica: Vlachodimos; Gilberto (Diogo Gonçalves, 69′), Otamendi, Vertonghen, Nuno Tavares (Grimaldo, 60′); Samaris (Gabriel, 46′), Pizzi (Taarabt, 60′); Rafa, Everton (Seferovic, 46′), Waldschdmidt e Darwin

Suplentes não utilizados: Helton, Jardel, Weigl e Cervi

Treinador: Jorge Jesus

Sp. Braga: Matheus; Ricardo Esgaio, Tormena, Bruno Viana, Sequeira; Al Murasti, Castro; Iuri Medeiros (Rodrigo Gomes, 90+1′), Galeno (Raúl Silva, 90+1′), Francisco Moura (João Novais, 73′) e Paulinho (Schettine, 87′)

Suplentes: Tiago Sá, Zé Carlos, Rolando, André Horta e Abel Ruiz

Treinador: Carlos Carvalhal

Golos: Iuri Medeiros (38′), Francisco Moura (50′ e 63′) e Seferovic (68′ e 86′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Iuri Medeiros (11′), Ricardo Esgaio (26′), Sequeira (56′) e Diogo Gonçalves (79′)

O Sp. Braga até começou com um erro quase infantil, com Matheus a marcar um pontapé de baliza para Tormena que saiu um pouco mais para o lado e acabou por dar canto para o Benfica. No entanto, e nessa imagem, conseguiu confirmar-se aquela que era a “surpresa” preparada por Carlos Carvalhal para esta noite: abdicou dos três defesas, deixou Bruno Viana e Tormena como únicos centrais tendo Ricardo Esgaio e Sequeira nas laterais, apostou em Al Musrati ao lado de Castro no meio e colocou Iuri Medeiros, Galeno e Francisco Moura no apoio a Paulinho. Sem bola, os minhotos estavam até mais recuados do que era esperado mas a ideia das transições estava presente, mesmo sem dois elementos muito importantes na dinâmica da equipa como Fransérgio e Ricardo Horta. Presente na teoria, não na prática. E foram os encarnados que conseguiram assumir um maior controlo do jogo.

Galeno era a referência ofensiva das saídas do Sp. Braga, que tinham do lado direito Iuri Medeiros mais a pedir a bola no pé para explorar depois os lançamentos em profundidade. Já no Benfica, Vertonghen teve a melhor chance de golo na primeira meia hora, arriscando um pontapé acrobático na área que Matheus conseguiu desviar para canto (10′). De resto, mais ataques, mais tentativas de esticar o jogo em Darwin para arrastar a equipa uns metros para a frente, jogo por dentro com Pizzi e Waldscmhidt entre linhas, algumas subidas dos laterais com cruzamento, como um em que Darwin desviou ao lado. Todavia, entre o mérito da organização defensiva dos minhotos bracarenses, faltava velocidade, faltava intensidade no último terço e faltava agressividade nos duelos divididos e nas segundas bolas, tendo Everton como exemplo da exibição com pormenores de classe sem consequência.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Benfica-Sp. Braga em vídeo]

Aos poucos, o trabalho de sapa de Al Musrati e Castro começava a dar frutos e foram mais as bolas ganhas pelos médios e que depois começavam a chegar com mais qualidade ao último terço. À semelhança do que acontecia com o Benfica, o Sp. Braga também não foi muitas vezes à baliza de Vlachodimos. Ou melhor, foi duas. E na segunda marcou: primeiro Galeno soltou a transição, Iuri Medeiros combinou com Ricardo Esgaio na área mas o passe atrasado já saiu mal e o brasileiro rematou muito por cima (38′), depois houve mais uma recuperação no meio-campo após passe mal feito de Otamendi e para zona central, Iuri Medeiros deixou Samaris para trás com uma grande finta e rematou em arco colocado ao ângulo inferior sem hipóteses para Vlachodimos (39′). O canhoto que andou “perdido” pelo Nuremberga na última temporada e que Jorge Jesus tinha dispensado quando estava no Sporting voltou a provar que pode não ser um jogador regular mas tem um talento que nunca mais acaba…

O Benfica merecia chegar a zeros ao intervalo pelo que não fez no ataque, o Sp. Braga só merecia chegar a ganhar ao intervalo pela eficácia que teve na primeira vez em que conseguiu ter espaço para um remate enquadrado. Jorge Jesus mexeu mais uma vez com duas substituições de uma assentada ao intervalo. Tirou Samaris, lançou Gabriel. Tirou Everton, lançou Seferovic. Em dois minutos o jogo parecia outro, com Francisco Moura a visar a baliza dos encarnados antes de Rafa tentar também a sua sorte na área contrária. Depois, abriu-se um buraco no meio-campo, vários jogadores erraram ao mesmo tempo e Francisco Moura aumentou a vantagem, isolado na área após um passe no corredor central de Al Musrati. Pizzi chegou atrasado, Gabriel andava desaparecido, Otamendi saiu para a frente, Gilberto ficou mas nas costas e o jovem internacional Sub-19 só teve de encostar para o 2-0 (50′). A partida ficou ainda mais a jeito dos minhotos. E ainda mais ficou uns minutos depois, quando Vlachodimos falhou uma saída da baliza despropositada e Moura, o MVP do jogo, só teve de empurrar para a baliza vazia (63′).

Seferovic, que nos dois primeiros remates tentados dificilmente poderia apresentar uma mira mais descalibrada, deu o mote para aquele que seria o melhor período do Benfica no jogo: após uma grande jogada de Rafa na direita desviou de pé direito na área para o 3-1 (68′) e, poucos minutos depois, já com Grimaldo em campo, teve na cabeça o bis mas Matheus voltou a ter uma intervenção decisiva para segurar a equipa num momento chave do jogo. É que, por estratégia ou quebra física, o Sp. Braga estava cada vez mais acantonado lá atrás e perdeu a capacidade de esticar jogo para obrigar a que os centrais e sobretudo os laterais não estivessem por defeito no meio-campo contrário, o que proporcionou ao suíço o segundo golo numa jogada onde Taarabt lançou Grimaldo com um grande gesto técnico e o espanhol fez a assistência de cabeça para o toque final à entrada da pequena área.

No entanto, já era tarde, apesar de Seferovic ter marcado ainda o empate anulado pelo VAR por posição irregular no quinto minuto de descontos. Depois da derrota no Bessa por 3-0 e do empate com o Rangers 3-3, o Benfica voltou a perder por 3-2 num jogo onde esteve ainda pior nas fraquezas e potenciou as forças demasiado tarde. Se, quando regressou à Luz, Jorge Jesus tinha prometido uma equipa a jogar o triplo, esse milagre está a redundar numa não multiplicação que em vez de arrasar abre o flanco para o setor defensivo ser “arrasado”. E se o Sporting já leva quatro pontos de avanço e o Sp. Braga igualou o encarnados na classificação, existe um outro dado que também faz a diferença: o FC Porto, que poderia ter ficado a oito, já só se encontra a dois pontos…

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