Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Não foi além de um empate frente ao Crotone, conseguiu ganhar na Ucrânia ao Dínamo Kiev com um super Álvaro Morata, voltou a não passar de uma igualdade com o Verona, perdeu em Turim diante do Barcelona. Se dúvidas ainda existissem sobre a influência de Cristiano Ronaldo na equipa, os quatro resultados da Juventus enquanto o internacional português esteve afastado com Covid-19 espelharam ainda melhor o peso do avançado da equipa. Aliás, demorou apenas dois minutos para sair do banco frente ao Spezia e marcar, desempatando um encontro que estava a ficar complicado e abrindo espaço para uma goleada no regresso aos triunfos na Serie A. Na Liga dos Campeões não marcou mas os bianconeri voltaram a ganhar por 4-1. Seguia-se a Lazio, em mais um jogo fora.

A Covid-19 passou, Cristiano Ronaldo voltou e está tudo igual: entrou na segunda parte, marcou duas vezes e deu a vitória à Juventus

Os romanos estarão sempre na história de Cristiano Ronaldo na Juventus, por terem assinalado a estreia oficial do português em Turim, no ano de 2018. Aí, numa altura em que era o foco de todas as atenções (ainda mais), não marcou; a partir desse momento, nunca tinha falhado: um golo fora em 2018/19, dois em casa em 2019/20, um fora em 2019/20. Aos 35 anos, a caminho dos 36, a fiabilidade do português em frente à baliza continua a não ter paralelo e uma das explicações para essa longevidade também pode estar na forma como aprendeu a… dormir.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

“Ele não tira só uma soneca, isso é para pessoas mais velhas que veem televisão. É uma maneira de dormir menos, mas de melhorar a recuperação. Antes das luzes artificiais, as pessoas dormiam por períodos curtos. Os jogadores de futebol têm vidas privadas. O desporto que praticam tem horários muito exigentes, que vão continuar a ser assim. Muitos atletas jovens com que trabalho sofrem de insónia, ansiedade, stress e todas essas coisas que acabam por fazer parte do mundo do desporto”, revelou em entrevista Nick Littlehales, especialista em sono que ajudou o português nessa vertente e que já trabalhou com clubes como Manchester City ou Real Madrid.

Entrevista. Os segredos para dormir como Cristiano Ronaldo

Com o devido descanso, e em vésperas de se juntar à concentração da Seleção Nacional para os dois últimos jogos na fase de grupos da Liga das Nações frente à França e à Croácia, a Juventus enfrentava a Lazio numa das viagens mais complicadas da temporada mesmo tendo em conta o início mais modesto do conjunto de Simone Inzaghi. “Vai ser de certeza um grande jogo, é sempre uma partida boa para ver. Para nós sabemos que será complicado, a Lazio tem uma excelente equipa e vem provando isso nos últimos anos. Não podemos cometer erros para depois não sermos apanhados nas transições. Temos vindo a ocupar bem os espaços ofensivos, é positivo, mas temos de continuar a trabalhar para evoluirmos para uma forma de jogar diferente daquela a que estávamos habituados no passado. Os golos dos médios também são importantes”, frisou Andrea Pirlo no lançamento do jogo.

No entanto, a grande “bomba” antes do encontro esteve ligada à Lazio e promete dar muito que falar: segundo a Gazzetta dello Sport (conteúdo fechado), o conjunto de Roma está a ser investigado por suspeitas de fraude e pode mesmo vir a ser acusado criminalmente de espalhar o novo coronavírus e expor várias pessoas à Covid-19. Esse inquérito foi aberto na quarta-feira depois de Immobile, Lucas Leiva e Strakosha terem testado positivo antes da viagem para a Rússia, para o jogo com o Zenit, sendo que antes do jogo com o Torino estariam negativos e agora teriam mais uma vez dado negativo. Questão? Quando os resultados foram enviados para outro laboratório, voltaram os positivos. E as autoridades acreditam que o clube sabia o que se estava a passar.

Em campo, o trio ficou mesmo de fora numa Lazio desfalcalda e Frabotta foi a surpresa de Pirlo, colocado no lado esquerdo do meio-campo numa equipa que voltou ao clássico 4x4x2 com Danilo a lateral esquerdo que poderia assumir uma linha de três defesas quando Cuadrado subisse e Frabotta agarrasse todo o corredor. A Juventus entrou melhor, sem remates de perigo (um de Ronaldo e outro de Rabiot foram fáceis para Pepe Reina) mas com capacidade de condicionar a saída de bola dos visitados, e inaugurou o marcador logo no limite do primeiro quarto de hora pelo suspeito do costume: numa jogada onde parecia alheado de tudo por estar fora de jogo, Cuadrado insistiu pela direita, o português recuou para receber o passe e encostou na pequena área para o 1-0. Pouco depois, e na melhor oportunidade da primeira parte, Muriqi chegou atrasado por pouco na área contrária depois de um cruzamento de Radu que teve Milinkovic-Savic a assistir de cabeça para o poste contrário (22′).

A Lazio, sempre com Luís Alberto como o artista de serviço e Milinkovic-Savic como a referência, ia tentando ter mais presença no último terço mas não só a defesa da Juventus conseguia controlar essas ações como saía com cada vez mais perigo nas transições, ou com Betancur a transportar ou com Morata a vir buscar. E foi numa dessas investidas que nasceu a grande chance da primeira parte até ao intervalo, com Ronaldo a receber um passe da direita, a ajeitar na área e a rematar com estrondo à trave (43′) já depois de um remate que saiu perto do poste de Reina (37′). Nos descontos, num livre direto, o guarda-redes espanhol voltou a evitar o 2-0 a CR7 (45+2′).

No segundo tempo, sem grandes oportunidades apesar das saídas rápidas da Juventus que davam espaço ao golo que concluísse a história do jogo, o 1-0 foi-se mantendo até Cristiano Ronaldo sair com queixas físicas, desta vez no tornozelo e não no ombro (como tinha acontecido na primeira parte) após uma bola prensada com Luís Alberto quando o jogador romano tentava rematar, e a Lazio ainda chegou ao empate nos descontos, com Felipe Caicedo, antigo avançado do Sporting, a rodar bem na área e a rematar para o 1-1 aos 90+5′. Ronaldo deixou o relvado, a Juventus adormeceu. E mais uma vez não conseguiu ganhar sem o português em campo.