O estabelecimento prisional de Tires tem 158 pessoas infetadas com Covid-19 neste momento, segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça (MJ), que adiantam que há 148 reclusas, duas crianças e oito trabalhadores infetados. A Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) informou que recebeu esta segunda-feira os resultados finais dos testes à Covid-19 a todos os trabalhadores e reclusas de Tires.

Estes resultados permitem dizer que no Estabelecimento Prisional de Tires há 148 reclusas positivas à Covid-19, duas crianças que se encontram com as suas mães e oito trabalhadores (cinco guardas prisionais, dois profissionais de saúde e um auxiliar de cozinha de empresa externa)”, adianta um comunicado do MJ.

O surto no estabelecimento prisional de Tires, uma prisão feminina, foi conhecido na sexta-feira passada, quando foram tornados públicos 121 casos positivos de Covid-19 depois de terem sido testadas 320 reclusas, sendo o primeiro surto registado numa prisão em Portugal desde o início da pandemia.

Surto de Covid-19 na prisão feminina de Tires. Há 121 reclusas infetadas e dois trabalhadores

Segundo o comunicado do MJ, “as reclusas positivas, genericamente assintomáticas, foram afetadas a um Pavilhão do Estabelecimento Prisional de Tires onde permanecerão em isolamento, separadas da restante população prisional, e sob vigilância e acompanhamento, permanente (24 horas), de pessoal clínico do Hospital Prisional que foi para o efeito convocado”.

As duas crianças que acusaram positivo, e se encontram assintomáticas, estão na companhia das mães neste pavilhão que foi destinado ao acompanhamento e vigilância médica dos casos positivos à Covid 19, tendo igualmente seguimento pediátrico”, acrescenta-se.

O MJ adianta que a formação escolar e profissional, o trabalho e as visitas estão suspensos na prisão de Tires, estando as reclusas a “usufruir do tempo de recreio previsto na lei”, organizado em grupos, para garantir o distanciamento físico, e com uso de máscara.

“A experiência já adquirida pela DGRSP demonstra que é durante o gozo do pátio a céu aberto que o risco de contágio se avoluma, pelo que é necessária especial cautela no usufruto deste inalienável direito dos reclusos”, lê-se no comunicado.

Mantém-se o acesso a cabines telefónicas, higienizadas após cada utilização, as refeições estão a ser servidas já empratadas nas celas para evitar ajuntamentos nos refeitórios.

Segundo o MJ, perante a “necessidade profilática” de encerrar as cantinas provisoriamente, “foi organizado um esquema alternativo de requisição de artigos por parte das reclusas que estão já a ser disponibilizados”.

Em articulação com as autoridades de saúde pública proceder-se-á, nos próximos dias, a nova testagem das reclusas do Estabelecimento Prisional de Tires que agora acusaram ser negativos. A DGRSP, controlado o surto, reitera estar a dispensar a todas as reclusas os cuidados necessários a garantir o seu mais rápido restabelecimento”, conclui o comunicado.

No domingo, a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados manifestou-se preocupada com a violação de direitos das reclusas, referindo a falta de acesso a produtos de higiene íntima, falta de material de limpeza de celas, atrasos de horas nas refeições e negação de acesso dos advogados às reclusas, algo que a DGRSP negou, garantindo o cumprimento dos direitos das reclusas.

Já esta segunda-feira, a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) considerou inaceitável a situação dizendo que houve “grave negligência das autoridades prisionais neste estabelecimento”, insistindo nas falhas já apontadas pela Ordem dos Advogados.