A Direção Regional do PCP/Açores (DORAA) afirmou esta segunda-feira que “os trabalhadores e o povo açoriano continuarão a contar, ainda que sem representação parlamentar, com a intervenção” do partido, perante um novo quadro político institucional “particularmente preocupante”.

“Sem ilusões sobre o que representaria a governação do PS, agravada ainda pela ausência de representação parlamentar do PCP, a formação de um governo que associa numa frente política reacionária não só a direita, mas também a extrema-direita, é particularmente preocupante”, declarou o coordenador regional do PCP/Açores, Marco Varela.

O dirigente falava numa conferência de imprensa, em Ponta Delgada, São Miguel, onde apresentou as conclusões de uma reunião da DORAA que analisou, entre outras questões, os resultados das eleições regionais de 25 de outubro e a situação política que decorre do novo quadro parlamentar regional.

“O anúncio feito pelo representante da República da decisão de indigitar o presidente do PSD/Açores, José Manuel Bolieiro, para presidente do Governo dos Açores, suportado na verificação de uma maioria parlamentar reunindo PSD, Chega, CDS-PP, PPM e Iniciativa Liberal, representa um facto inquietante quanto ao futuro da vida política regional, e em particular no que diz respeito aos direitos, interesses e aspirações dos trabalhadores açorianos”, vincou Marco Varela.

Para o PCP/Açores, “o surgimento deste novo quadro político institucional não é separável da governação do PS, da ausência de resposta aos problemas regionais e da arrogância no exercício do poder nestes 24 anos”.

O PCP, que perdeu representação parlamentar nas eleições regionais, sustenta que os resultados da CDU (coligação com o PEV), “apesar de avanços significativos no círculo do Faial, constituem o fator mais negativo destas eleições”.

Trata-se de um resultado particularmente negativo na vida política regional e de um significativo empobrecimento democrático. Representa, sobretudo, uma fragilização da intervenção em defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo açoriano, como se provou no mandato de 2004 a 2008, com a ausência da CDU na Assembleia Legislativa Regional”, sustentou o coordenador regional.

O PCP garantiu que os comunistas continuarão a agir na defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores, “na afirmação dos interesses da região e da autonomia, na luta por melhores salários e pensões, pelo direito ao trabalho e a funções sociais, pela afirmação e valorização da produção regional”, até porque “a intervenção política não se esgota na atuação parlamentar”.

Para os comunistas açorianos, o atual contexto mostra a “urgência crescente das 10 medidas expressas no programa eleitoral da CDU” e estas eleições regionais “ficam marcadas pelo surgimento de forças sem percurso ou contribuição real na vida política e social da região”.

Essas forças, “sem proposta ou projeto para os Açores, encontraram, na demagogia e na exploração de um ambiente de descrença generalizada com a falta de resposta aos seus problemas, espaço para recolha de votos que se revelarão inconsequentes”, entende o partido.

A DORAA criticou, a partir das declarações dos partidos, as intenções deste novo bloco de direita, como “a perspetiva de liberalizar o transporte inter-ilhas, diminuir o número de beneficiários do Rendimento de Social de Inserção, racionalizar os recursos humanos na administração pública ou a dita reestruturação do Setor Público Empresarial Regional, que visa na realidade o seu desmantelamento”.

O representante da República no arquipélago, Pedro Catarino, indigitou no sábado o líder do PSD/Açores, José Manuel Bolieiro, presidente do Governo Regional, na sequência das eleições de 25 de outubro, justificando a medida com o facto de a coligação PSD/CDS-PP/PPM (26 deputados) ter o apoio parlamentar do Chega (dois deputados) e do Iniciativa Liberal (um deputado), garantindo assim maioria absoluta no hemiciclo regional, com 29 dos 57 lugares.

Concorrendo com o Partido Ecologista Os Verdes, na coligação CDU, o PCP, tinha conseguido eleger um deputado nas eleições regionais de 2016.