A polícia tailandesa disparou canhões de água sobre os manifestantes que se tentavam aproximar do Grande Palácio de Banguecoque, para entregar cartas que pedem uma reforma urgente da monarquia no país.

Não é a primeira vez que as autoridades recorrem a este método para dispersar os protestos na capital tailandesa, exigindo também a demissão do primeiro-ministro Prayuth Chan-ocha. Estes movimentos têm-se manifestado um pouco por todo o país, sobretudo através de ativistas e jovens estudantes pró-democracia.

Polícia usa canhões de água para dispersar manifestantes em Banguecoque

Segundo o The Guardian, mesmo depois de terem sido disparados os canhões de água, os protestos não pararam, sendo que as pessoas se protegeram com óculos e chapéus e usaram autocarros para derrubar o arame farpado que a polícia tinha colocado a cercar o Palácio. Com eles, levavam também umas caixas de correio feitas de caixotes do lixo velhos que continham as tais cartas que pedem a reforma do regime.

Numa declaração dirigida a Maha Vajiralongkorn, os ativistas dizem que o rei deveria ouvir as críticas que lhe são feitas, da mesma forma que ouve os elogios.

Não importa se as pessoas gostam do rei ou não, ele deve gostar de todas igualmente. Se o rei pode falar para as pessoas que o adoram, também pode falar para aqueles que não”.

Esta crítica veio no seguimento de um comentário feito pelo monarca ao Channel 4 news. Quando questionado sobre os protestos que pedem a sua reforma. “Nos gostamos deles da mesma maneira”, respondeu. O repórter perguntou ainda sobre a possibilidade de um compromisso, ao que o monarca disse “a Tailândia é a terra do compromisso”.

O discurso de difamação contra a família real é punível pela lei, sendo que qualquer um que “difame, insulte ou ameace o rei” pode enfrentar uma pena de até 15 anos de prisão. Assim, ao alegarem que a parcela do orçamento entregue à monarquia deveria ser reduzida e que os fundos privados do rei deveriam ser separados dos bens da coroa, os manifestantes tornam-se os primeiros a romper o silêncio.

Pelo menos 84 pessoas já foram detidas na sequência destes protestos que tiveram início no dia 13 de outubro. No dia 15 desse mês, o Governo tailandês decretou estado de emergência na capital para evitar ajuntamentos de mais de cinco pessoas, conseguindo dispersar alguns ativistas na altura, mas desde então continuam a haver relatos de cidadãos nas ruas, sobretudo de Banguecoque, naquilo que têm sido, até ao momento, manifestações pacíficas.

Milhares manifestam-se em Banguecoque para exigir a saída do primeiro-ministro