As denúncias de fraude eleitoral, alimentadas pelo próprio Donald Trump que perdeu as presidenciais norte-americana, não têm parado nos Estados Unidos. Uma delas, relacionada com um funcionário dos correios de Erie, na Pensilvânia, está mesmo a causar versões contraditórias na comunicação social. Isto porque a versão do funcionário acabou por ser desmentida, mas agora ele aparece a fazer um vídeo a dizer que nunca voltou atrás na sua versão do caso, garantindo que houve fraude e prometendo trazer mais informações sobre isso ainda esta quarta-feira.

Richard Hopkins, funcionário dos Correios, foi quem denunciou alegadas irregularidades durante a votação por correio e foi mesmo referido pelos republicanos como um dos exemplos que deviam ser investigados. Esta terça-feira, no entanto, o Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes revelou que ele teria decidido voltar atrás no caso e admitido que inventou a história. Só que, mais tarde, o carteiro garantiu que não retirou nenhuma das acusações de fraude. 

Hopkins contou que o serviço de correios onde trabalha na Pensilvânia deu ordens à equipa para alterarem a data dos boletins de voto que chegassem atrasados, fazendo com que estes pudessem ser considerados legais por terem sido enviados antes ou no dia 3 de novembro. O Comité de Supervisão da Câmara escreveu no Twitter que Hopkins “voltou atrás nas suas alegações de que um supervisor adulterou os votos por correio, depois de ter sito questionados por investigadores”.

Mais tarde, numa outra publicação, o mesmo comité acrescentou: “Os investigadores informaram a equipa do Comité de que entrevistaram Hopkins na sexta-feira, mas que Hopkins se retratou das alegações ontem e não explicou porque é que assinou uma declaração falsa”.

Também o jornal Washington Post noticiou algumas horas depois que Hopkins tinha mesmo voltado atrás na história que contou, citando ainda três funcionários relacionados com o caso — mas que não foram identificados. O funcionário dos correios, no entanto, já veio negar, em vídeo, esta notícia. “Não voltei atrás na minha história. Isso não aconteceu e vão descobrir amanhã”, garantiu, exigindo que o jornal norte-americano altere a notícia.

Desde o dia das eleições que os republicanos, que recusam uma vitória de Joe Biden, alegam terem existido várias irregularidades no processo de votação por correio. Nas redes sociais, os apoiantes de Donald Trump asseguraram, por exemplo, que centenas de milhares de pessoas mortas votaram em estados decisivos como a Pensilvânia ou o Michigan. Há também relatos de boletins que foram atirados fora ou boletins de voto que excediam o número de votantes de um determinado estado.

Mas, para já, nada foi comprovado e alguns das publicações feitas nas redes sociais já foram consideradas falsas. As publicações e republicações no Twitter sobre as eleições com termos como “roubo”, “fraude”, “falseado” e “morto” dispararam mais de 2.800% entre 2 e 6 de novembro, segundo uma análise da VineSight, uma empresa tecnológica que pesquisa desinformação online e detetou mais de 1,6 milhões de retweets com algumas dessas palavras, só na última sexta-feira.

Publicações falsas proliferam nas redes sociais uma semana após eleição nos EUA

Entre o dia da eleição e segunda-feira, foram feitas cerca de cinco milhões de menções sobre fraude nas votações e “Stop the Steal” (Parem o Roubo) em redes sociais e sites de notícias online, a maioria das quais focadas em estados como a Pensilvânia, Georgia e Michigan, de acordo com a mesma análise.

Os delegados eleitorais de ambos os partidos já vieram afirmar publicamente que a votação correu bem e que os observadores internacionais confirmaram a inexistência de irregularidades. De acordo com o New York Times, vários funcionários eleitorais de estados que representam tanto o Partido Republicano como o Partido Democrata afirmaram que não encontraram provas de fraude ou outras irregularidades durante a corrida presidencial.