O PAN considerou esta quarta-feira que o surto de “legionella” “é consequência da falta de técnicos de saúde ambiental”, dado que estes profissionais foram deslocados para a monitorização da Covid-19, e alertou para a possibilidade de mais surtos.

Citada em comunicado, a deputada Bebiana Cunha (eleita pelo círculo do Porto) afirma que o surto de “legionella” que está a afetar os concelhos da Matosinhos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim, no distrito do Porto, “é uma consequência da falta de técnicos de saúde ambiental”, uma vez que “há mais de uma década que as administrações regionais de saúde não admitem novos técnicos de saúde ambiental”.

Bebiana Cunha refere igualmente que “a deslocação destes profissionais para o apoio ao rastreamento e monitorização das redes de contágio de Covid-19 colocou em risco programas de vigilância tão essenciais como a vigilância da qualidade da água, do ar e de diversos vetores fundamentais para a qualidade de vida das populações e saúde pública”.

“Com esta escassez de recursos humanos, agravada pelo contexto Covid-19, as unidades de saúde pública têm os seus recursos direcionados para este combate, estando alguns destes serviços já em rutura, com elevado desgaste dos seus profissionais”, salienta.

No comunicado enviado aos jornalistas, o PAN alerta ainda que “se esta situação se mantiver, este poderá não ser o único surto a acontecer no país”.

Na ótica do partido, “o combate à atual pandemia e ao recente surto de ‘legionella’ não se faz só com a investigação epidemiológica dos casos ou rastreamento dos contactos, mas faz-se preventivamente na avaliação e monitorização das condições sanitárias, no licenciamento ou não de determinadas atividades e edificações, no apoio à elaboração e implementação de planos de contingência, nas vistorias, na formação dos trabalhadores das estruturas residenciais para pessoas idosas, no apoio à reabertura de estabelecimento de ensino, no controlo de infeção dentro dos serviços de saúde, entre muitas outras intervenções”.

“Quebrar as cadeias de transmissão é fundamental, mas é igualmente imprescindível impedir novas cadeias, dotando os espaços, equipamentos e pessoas com os requisitos e meios para impedir a propagação da doença”, defende, considerando que “esse trabalho de terreno deve ser assegurado pelas unidades de saúde pública, nomeadamente pelos seus técnicos de saúde ambiental”.

O comunicado assinala ainda que “ainda antes do início do surto de ‘legionella’, o PAN apresentou uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2021 para que sejam contratados 30 técnicos especializados em saúde ambiental para trabalharem no âmbito das unidades de saúde pública.

O surto de “legionella” que está a afetar os concelhos da Matosinhos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim, no distrito do Porto, causou esta quarta-feira mais uma morte, elevando para sete os óbitos relacionados com a doença.

Sobe para sete o número de mortes devido ao surto de legionella no Norte

Segundo fonte da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-N), esta recente vítima mortal registou-se no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, onde desde 30 de outubro até hoje já morreram cinco pessoas com complicações inerentes à doença dos legionários.

A origem do surto ainda não foi detetada, embora o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Lacerda Sales, tenha afirmado esta quarta-feira que já estão a ser realizadas analises em diversos locais da região.

A doença do legionário, provocada pela bactéria “Legionella pneumophila”, contrai-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.