O ministro da Economia brasileiro reafirmou esta quinta-feira que se o país sofrer uma segunda vaga da Covid-19, quando ainda não saiu da primeira, será renovada a ajuda financeira aos mais carenciados, que terminaria no final do ano.

Se houver uma segunda onda de pandemia, não é uma possibilidade, é uma certeza [a renovação da ajuda financeira]. Vamos ter de reagir. Mas isso não é o plano A, não é o que estamos a pensar agora”, declarou o ministro, Paulo Guedes, ao participar, por videoconferência, num evento da Associação Brasileira de Supermercados.

O ministro esclareceu que, nessa eventualidade, também deverá ser renovado o “estado de calamidade”, decretado no país em abril passado, que, tal como o auxílio de emergência à população mais pobre, expira no final do ano.

A declaração de Paulo Guedes, que contempla a possibilidade de uma segunda vaga da pandemia no país, contradiz de alguma forma a posição do Presidente, Jair Bolsonaro, que esta semana se queixou publicamente daqueles que “assustam” a sociedade com um possível agravamento da crise de saúde.

“Já começam a amedrontar o povo brasileiro, com uma segunda onda. Tem de enfrentar. É a vida. (…) Lamento por todos os que morreram”, disse o chefe de Estado na terça-feira, num evento do executivo, em Brasília, acrescentando que o Brasil tem de “deixar de ser um país de ‘maricas’“.

Covid-19. Bolsonaro diz que Brasil tem de deixar de ser um país de “maricas”

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de mortos (mais de 5,7 milhões de casos e 163.373 óbitos), depois dos Estados Unidos. Até ao momento, nem o próprio Governo brasileiro, nem qualquer especialista, considerou que a primeira vaga do novo coronavírus acabou.

Em março passado, para ajudar a população mais pobre e os desempregados a enfrentar a crise da saúde, o governo aprovou um auxílio de emergência, no valor de 600 reais mensais (92,9 euros, no câmbio atual), que beneficiou cerca de 65 milhões de pessoas, entre trabalhadores informais (sem contrato de trabalho) e aqueles que perderam os seus empregos devido à pandemia.

Contudo, esse valor foi cortado para metade no mês passado, tendo sido prolongado até ao final do ano, quando o Governo planeia encerrar o programa de emergência e dar continuidade ao Bolsa Família, plano de assistência aos mais pobres criado em 2003 pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Bolsonaro chegou a discutir a possibilidade de reformar o Bolsa Família e promover uma ampliação de valores e de pessoas abrangidas, mas os debates incipientes sobre o assunto estagnaram com as dificuldades ocasionadas pela crise económica que chegou ao país junto com a Covid-19.

A pandemia deixou o Brasil em recessão e provocou uma queda acentuada na arrecadação de impostos, o que agravou os problemas fiscais crónicos do país, com forte impacto no orçamento do governo para o próximo ano.