O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou esta quinta-feira, em Coimbra, que a obra e o pensamento de Álvaro Cunhal são “contributos inestimáveis” num momento em que o país “enfrenta graves problemas”.

Num momento em que o país enfrenta graves problemas que uma política contra Abril promoveu e a atual pandemia agravou [..], a luta, a obra e o pensamento de Álvaro Cunhal projetam-se como contributos inestimáveis para a conquista de um futuro que tenha como referência os valores de Abril”, afirmou Jerónimo de Sousa.

O secretário-geral do PCP falava durante a cerimónia de descerramento da placa que assinala o local onde Álvaro Cunhal nasceu, na Rua do Brasil, em Coimbra, a 10 de novembro de 1913, num evento onde também participou o presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado.

No discurso, Jerónimo de Sousa alertou para um momento em que “certas forças se insinuam e tentam normalizar práticas e políticas contra aquela que foi uma das mais importantes realizações do povo português”, o 25 de Abril.

É ocasião para reafirmar, com toda a confiança, que o melhor do caminho histórico de Abril ainda está para vir e que, mais tarde ou mais cedo, a luta dos trabalhadores e do povo, a luta dos democratas, não deixará morrer o sonho de ver retomados os seus caminhos e a concretização plena dos seus valores”, frisou.

Numa intervenção que durou cerca de dez minutos, Jerónimo de Sousa recordou a obra e o legado de Álvaro Cunhal, que morreu em 2005, desde a importância que este teve na luta contra o Estado Novo à sua intervenção política após a revolução, passando pelo seu trabalho teórico de estudos e análise política e histórica ou pelas obras que deixou como escritor e pintor.

“É para nós inquestionável que são os povos que fazem a história, mas é inquestionável também que ela precisa do concurso dos homens certos, em cada momento, para lhe dar rumo e movimento — de homens como Álvaro Cunhal”, realçou.

Já Manuel Machado (PS) considerou Cunhal “uma das figuras mais relevantes do século XX em Portugal”, salientando, da sua atuação como secretário-geral do PCP, o facto de ter sabido decidir, nas horas chave, “com notável sentido patriótico pela paz entre os portugueses, pelo Estado de Direito e pelo respeito da vontade dos portugueses expressa em eleições livres e democráticas”.

“Poucos políticos tiveram em Portugal tanto carisma, tanta capacidade de liderança, tanto alcance na consciência política dos cidadãos”, referiu o presidente da Câmara de Coimbra, acreditando que a cidade terá tido alguma influência no seu percurso — “algo do espírito desta cidade, da sua permanente tensão entre as ideias mais avançadas que em cada momento histórico cá se discutem e do conservadorismo típico das elites das regiões das Beiras”.

Secretário-geral do PCP entre 1961 e 1992, Álvaro Cunhal foi um “dirigente comunista, lutador antifascista pela liberdade, a democracia e o socialismo”, tendo resistido à “clandestinidade e ao exílio e, enquanto preso político, à tortura e ao isolamento”, lê-se na placa esta quinta-feira descerrada por Manuel Machado e Jerónimo de Sousa.

Esta não é a primeira evocação a Cunhal em Coimbra, tendo na cidade o nome de uma rua, desde 2007, na altura por decisão de um executivo liderado pelo PSD.