O PCP recusou esta quarta-feira entrar em contabilidades sobre quantas propostas podem determinar a sua opção no voto final do Orçamento, como fez o Bloco de Esquerda, e insistiu numa “resposta global” à pandemia por parte do Governo.

“Os problemas do país não se situam apenas numa, duas ou doze situações que possam marcar de forma mais impressiva”, afirmou, em conferência de imprensa, o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, em que apresentou as propostas de alteração ao Orçamento do Estado de 2021 (OE2021) do partido para as áreas económica e fiscais. As propostas a ser adotadas pelo Governo no orçamento “não podem secundarizar a difícil situação nacional e que exige uma resposta global”, insistiu.

Horas antes, na mesma sala de conferências de imprensa, Mariana Mortágua, do BE, apresentou as 12 propostas de alteração que considera “essenciais para responder à crise” e de cuja aceitação depende uma “viabilização” na votação do orçamento, desafiando o Governo a “repensar a sua posição”.

Questionado sobre se o PCP tinha também condições essenciais para ajudar a viabilizar o OE2021, João Oliveira sublinhou que o partido não utiliza “elementos dessa natureza” nem faz depender decisões de “estados de alma”. “Não é a quantidade de propostas aprovadas que se decide o sentido de voto no Orçamento do Estado”, afirmou.

O líder da bancada comunista afirmou que o sentido de voto dos comunistas — abstiveram-se na generalidade — na votação final global dependerá da avaliação de saber se o Orçamento tem ou não medidas, se é ou não “um dos instrumentos” que dê uma “resposta global aos problemas do país”, nomeadamente devido à pandemia. A votação final global está prevista para 26 de novembro, na Assembleia da República.