O número de pessoas sem-abrigo em Faro está a aumentar e nos últimos meses verifica-se um “aumento significativo de estrangeiros” nesta situação no concelho, disse esta quinta-feira a coordenadora do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-abrigo (NIPSA) de Faro.

Segundo Vanda Balaia, em 2020 foram registados na base de dados daquele núcleo 104 processos sociais — dos quais, 74 deram entrada entre janeiro e abril e 30 entre maio e setembro -, estando atualmente em acompanhamento no concelho 62 casos.

Em declarações à Lusa à margem da assinatura de um protocolo, aquela responsável esclareceu que, mesmo havendo 104 processos abertos, isso “não significa que essas pessoas ainda estejam todas no concelho”, por ser uma população que “anda muito entre concelhos”.

O aumento de sem-abrigo estrangeiros em Faro é um fenómeno relativamente recente – uma vez que, até agora, a maior parte desta população no concelho era de nacionalidade portuguesa -, sendo pessoas que, normalmente, apresentam perturbações do foro mental ou um historial de consumos, acrescentou.

De acordo com Vanda Balaia, o impacto da pandemia de Covid-19 já se faz sentir no aumento do número de pessoas em situação de sem-abrigo no concelho, sendo que a maioria já pediu apoio às instituições locais.

No entanto, um dos maiores constrangimentos, não só no concelho, como no distrito de Faro, é a “ausência de resposta em termos de alojamento” e o facto de o mercado de arrendamento estar “inflacionado”, o que dificulta a resposta social a esta população.

Em Faro, os sem-abrigo são maioritariamente homens, solteiros, com idades entre os 30 e os 50 anos, sendo a maioria de nacionalidade portuguesa, embora sem raízes locais, ou seja, provenientes de outras zonas do país. A maior parte pernoita em casas abandonadas e apresenta como motivo para ter chegado à situação de sem-abrigo o alcoolismo, toxicodependência, desemprego ou problemas financeiros e familiares.

Os termos do protocolo de parceria do NPISA de Faro, que envolve a autarquia e 16 parceiros sociais, foram hoje atualizados na sequência de uma revisão da Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo até 2023. O núcleo, criado em 2010 e coordenado pelo município, tem como objetivo promover as condições de autonomia e do exercício pleno da cidadania da população em situação de sem-abrigo.

De acordo com um levantamento feito até abril deste ano, o concelho de Faro tinha 83 pessoas em situação de sem-abrigo, a maioria sem teto (74), das quais 11 viviam em espaço público e 63 em local precário. No mesmo levantamento, foram identificadas nove pessoas no concelho que estavam sem casa e em alojamentos temporários.

Em junho passado foi anunciado que Faro iria ter um centro de alojamento de emergência com capacidade para acolher até 49 pessoas em situação de precariedade, naquele que será o primeiro equipamento do género no Algarve. O centro, que vai ser instalado num edifício cedido pelo Ministério da Agricultura, em Braciais, na periferia de Faro, vai ter 30 lugares para alojamento de emergência, 20 dos quais destinados a alojamento temporário, por um período de três meses, e uma capacidade total máxima para alojar 49 pessoas.

O Movimento de Apoio à Problemática da Sida (MAPS) é a entidade responsável pelo projeto da estrutura, que visa acolher pessoas e famílias em situação de precariedade, nomeadamente, em situação de sem-abrigo, desemprego, alvo de despejos ou com perdas de rendimento.