A candidata presidencial Ana Gomes referiu esta sexta-feira a dificuldade de calibrar as medidas de combate à Covid-19 para evitar que os serviços de saúde entrem em rotura e para não matar a economia.

“A dificuldade aqui está em calibrar as medidas para, por um lado, responder às necessidades de saúde e não deixar os serviços de saúde entrarem em rotura e, por outro lado, não matar a economia“, afirmou a candidata e militante socialista à saída de uma visita à fábrica da Continental, em Vila Real.

Questionada pelos jornalistas sobre as medidas para conter a Covid-19 anunciadas na quinta-feira e sobre as críticas a falhas de comunicação apontadas ao Governo, Ana Gomes referiu que se “pode sempre apontar falhas seja na comunicação seja nas medidas”.

“Mas sabemos que estamos a reagir a quente perante uma pressão tremenda não conhecida anteriormente e difícil de prever, não obstante muita gente tenha avisado que as tendências de uma segunda vaga eram inevitáveis”, acrescentou.

Na sua opinião, a “dificuldade está na calibragem” e, portanto, admite que “não seja só a comunicação, seja mesmo a dificuldade de tomar as medidas acertadas”, pelo que apelou também “à responsabilidade” de cada cidadão.

Acho que, sem dúvida o Governo e as autoridades portuguesas estão a procurar ir lidando com a situação face a uma evolução muito preocupante que é o que justifica as medidas drásticas que estão a ser aplicadas, embora calibradas”, referiu.

Ana Gomes referiu que determinados setores, nomeadamente da restauração e do comércio, estão a ser “duramente” afetados e disse esperar que “as medidas que o Governo está a anunciar, para compensar minimamente esses setores, sejam rapidamente aplicadas”.

Na quinta-feira, o Governo aumentou para 191 a lista de concelhos com risco elevado de transmissão da Covid-19, ordenou o encerramento do comércio e restauração às 13h00 nos dois próximos fins de semana e anunciou que os restaurantes dos concelhos abrangidos pelo estado de emergência terão um apoio de 20% da receita perdida nos dois próximos fins de semana, que poderá ser pedido a partir de dia 25.

Ana Gomes dedica esta sexta-feira à cidade de Vila Real e começou a visita na Continental, que foi classificada pela candidata como uma “empresa modelo, exportadora e de tecnologia de ponta”.

“O tipo de empresa que deve ser apoiada pelas autoridades portuguesas e replicada porque tem um papel fundamental na fixação num território que precisa de ser repovoado”, afirmou.

A Continental Advanced Antenna Portugal, que produz componentes para automóveis, é uma “das maiores empregadoras privadas” no distrito de Vila Real, possuindo cerca de 550 trabalhadores.

“E demonstra que o Interior por ser Interior não deve ser menorizado, pelo contrário, tem um grande potencial de polo de desenvolvimento numa perspetiva inter-regional, transfronteiriça e europeia”, salientou.

E, para o Interior, Ana Gomes defendeu “incentivos fiscais para empresas e profissionais” e apoios por parte do Estado à habitação, uma preocupação apontada por funcionários da fábrica.

A candidata considerou que “não se pode continuar a deixar despovoar o Interior do país, a retirar serviços públicos e atividades empresariais do Interior” e disse que é preciso reconhecer que “há um potencial tremendo” nestes territórios para todo o tipo de atividades.

“A ideia enviesada de que a maioria da população se concentra na faixa do litoral e, portanto, aí e que se deve fazer o investimento é errada, revela falta de visão e é isso que temos que mudar”, salientou.