A Câmara de Tavira reagiu esta sexta-feira com “surpresa e indignação” à sua inclusão na lista dos 191 concelhos em risco elevado de transmissão de Covid-19, o que agrava as restrições impostas à população.

“Foi com surpresa e indignação que a autarquia recebeu esta informação, uma vez que veio contrariar os números que nos têm sido comunicados pelas autoridades de saúde local e regional (que são coincidentes) e que apontam que, no período considerado pelo Governo (entre 28/10 e 10/11), o concelho de Tavira tem um acumulado de 54 novos casos e, consequentemente, com 220 casos por 100.000 habitantes”, argumentou a autarquia algarvia.

O Governo anunciou na quinta-feira uma atualização da lista dos concelhos com risco elevado de contágio, que passa de 121 para 191 municípios, entre os quais mais sete do Algarve – Faro, Albufeira, Portimão, Lagos, Tavira, Vila do Bispo e Vila Real de Santo António, que se juntam a São Brás de Alportel.

A Câmara de Tavira considerou, numa nota divulgada nas redes sociais, que os valores registados no concelho estariam “abaixo do valor para ser considerado na lista” e questionou quais foram os dados que levaram a “DGS [Direção-Geral da Saúde] a atribuir”, no período em questão, “60 novos casos a Tavira”, que “não estão em concordância com os das autoridades de saúde local e regional” registados.

Nunca foi, nem será, intenção do município esconder ou alterar os dados que nos são fornecidos pelas entidades que referimos e nas quais depositamos toda a confiança. Por considerarmos uma injustiça e sentirmos que temos o direito de ser esclarecidos, para podermos esclarecer a população tavirense, enviarei, amanhã, comunicações para o gabinete da ministra da Saúde e para a DGS a questionar e a solicitar esclarecimentos”.

A mesma fonte assegurou que a Câmara tem “consciência do quanto estas limitações”, agravadas pela inclusão do concelho na lista de municípios em risco elevado, “afetarão a todos” e “as repercussões que terão no setor económico e social”, e prometeu “encontrar formas de apoio aos empresários e às famílias”, dentro das “suas competências”, para os ajudar a ultrapassar esta fase.

“Não obstante o anteriormente exposto, é meu dever apelar ao estrito cumprimento daquelas que são as nossas obrigações enquanto cidadãos responsáveis, às quais se juntam, agora, as que decorrem do facto de integrarmos esta lista, nomeadamente o recolher obrigatório e o encerramento dos estabelecimentos nos horários definidos”, sublinhou a autarca, pedindo à população “respeito e empenho” para poder “travar a propagação do vírus” e ser “restituída a normalidade possível”.

Apesar de já estar incluído na lista de concelhos em risco elevado desde 31 de outubro, a Câmara de São Brás de Alportel também lamentou que, “pese embora todas as diligências realizadas pelo município”, o seu território siga “incluído no mapa de concelhos considerados de elevado risco de contágio”.

A autarquia divulgou um comunicado no qual também refere que tinha a expectativa de o Governo poder aceitar “a sugestão de exclusão dos casos relativos a surtos circunscritos em lares de terceira idade” e explicou que, se isso tivesse acontecido, o “acumulado de novos casos nos últimos 14 dias (de 28 de outubro a 10 de novembro) totalizaria apenas 14”, quando “o limite” era de “apenas 240”.

O concelho regista “30 casos positivos na globalidade, 22 dos quais dizem respeito ao surto do Lar de Terceira Idade”, e a autarquia considera que “a aplicação cega deste critério” de 240 casos por cada 100 000 habitantes nos últimos 14 dias “sem ponderação da especificidade dos territórios e da real situação epidemiológica do concelho, conduz à aplicação de medidas desajustadas e ineficazes” que causam “graves prejuízos” à economia e às comunidades.