177 jogos. Este sábado, Sergio Ramos completava o 177.º jogo pela seleção espanhola, a 17.ª internacionalização, a 177.ª vez que vestia a camisola vermelha da La Roja. Um número que carregava um significado especial. Este sábado, ao ser titular contra a Suíça, o central do Real Madrid tornava-se o jogador europeu mais internacional de sempre, ultrapassando o italiano Buffon. Mas o dia especial de Ramos precisava de encontrar seguimento numa seleção espanhola que está a atravessar um dos períodos mais sofríveis dos últimos anos.

Contra a Suíça, Espanha tinha a oportunidade de dar o primeiro passo para reverter o pior registo ofensivo dos últimos 28 anos. Nos últimos quatro jogos, entre os particulares com Espanha e a Holanda e os jogos da Liga das Nações com os suíços e a Ucrânia, a seleção de Luis Enrique marcou apenas dois golos — um número escasso que não só não tem par com o atual selecionador como não encontra espelho desde 1992. É preciso mesmo recuar a esse início da década de 90 para descobrir um registo de golos tão baixo, já que nessa altura Espanha marcou apenas uma vez numa série de partidas contra Inglaterra, Letónia, Irlanda e Irlanda do Norte.

Luis Enrique, porém, não estava preocupado. “Marcar golo é o mais difícil no futebol. Não me preocupa isto. Tenho muitos bons jogadores e avançados que vão marcar golos. É evidente que gostaria que materializássemos mais ocasiões de golo, mas lá chegaremos. Não estou preocupado, de todo”, disse o selecionador espanhol. Este sábado, em Basileia, Espanha encontrava uma seleção suíça que tinha Seferovic no onze inicial e precisava de ganhar para ganhar alguma vantagem na corrida pela presença na final four da Liga das Nações. Com sete pontos, os mesmos que a Alemanha, os espanhóis sabiam que só uma vitória poderia responder a tudo o que poderia acontecer no jogo dos alemães contra a Ucrânia.

A grande surpresa espanhola apareceu logo no onze inicial. Em vez de David De Gea, era Unai Simón, guarda-redes do Athl. Bilbao, que aparecia na baliza. Dani Olmo era a referência ofensiva, apoiado por Oyarzabal, Ferrán Torres e Fabián Ruiz, e o primeiro golo da partida acabou por pertencer à Suíça. Freuler abriu o marcador, ainda dentro da primeira meia-hora (26′), e levou os helvéticos a ganhar para o intervalo. Luis Enrique reagiu à desvantagem ao tirar Ruiz para lançar Morata, logo nos primeiros instantes do segundo tempo, e Espanha teve a primeira grande oportunidade para empatar.

Na conversão de uma grande penalidade, Sergio Ramos aplicou a estratégia habitual, com uma pequena paradinha antes de rematar — mas na baliza, Sommer defendeu (57′). Koke, Canales e Adama Traoré entraram e o central do Real Madrid teve uma segunda oportunidade. O selecionador espanhol chamou o capitão à linha técnica, ambos trocaram palavras impercetíveis e a verdade é que foi Ramos a assumir novamente o castigo máximo. O resultado, porém, foi o mesmo. O espanhol atirou à Panenka e Sommer voltou a defender (80′): ao fim de 730 dias, Sergio Ramos falhou um penálti. Ou melhor, falhou logo dois. 

Até ao fim, um golo de Moreno com assistência de Reguilón ainda eliminou males maiores (89′) e evitou a derrota espanhola. Ainda assim, e graças à vitória da Alemanha contra a Ucrânia, Espanha está agora no segundo lugar do Grupo 4 e leva para a última jornada e para o confronto direto com o alemães a decisão sobre a passagem à final four da Liga das Nações.