Para o primeiro-ministro, as restrições que estão em vigor este fim de semana são “um mal menor”. É o que explica num vídeo divulgado este sábado — o primeiro em que o recolher obrigatória começa às 13 horas mantendo-se até às 5 horas da manhã de domingo — em que garante que a opção do Governo foi “concentrar o esforço nestes fins de semana para preservar a continuidade da vida normal, sem interromper o ano letivo e as atividades económicas“.

Pode ouvir as declarações do primeiro-ministro no Jornal da Rádio Observador:

Primeiro-ministro fala em fim de semana “duro” mas “mal necessário” para proteger escolas e comércio nos restantes dias da semana

Dois argumentos que António Costa sabe serem de peso para a generalidade da população e que marcam a diferença face ao confinamento geral de março e abril passados, embora nesse período o impacto na economia ainda não se fizesse sentir de forma tão intensa como agora. Aliás, nesta sexta-feira houve até manifestações significativas, como a do Porto feita por um grupo de empresários do setor da restauração, bares e comércio. Estas são atividades que vão ter de estar fechadas no período do recolhimento — entre as 13h e as 5 horas da manhã tanto no sábado como no domingo, repetindo-se tudo no próximo fim de semana.

No vídeo de quatro minutos, António Costa não faz referência estas manifestações contra as medidas do Governo, ainda que admita logo no arranque na gravação que “este vai ser um fim de semana diferentes e muito duro para todos”, incluindo “para muitas atividades económicas que vão ter prejuízos grandes este fim de semana”.

Agora sem “equívocos”: o que posso ou não fazer no fim de semana?

Perante a assunção das consequências desta paragem nos 191 concelhos de elevado risco pandémico, Costa explica as razões deste “esforço complementar”, começando pelo crescimento do número de novos casos de Covid-19 que, refere, é hoje “quatro vezes maior do que na primeira fase”.

E é nesta altura da mensagem que o chefe do Governo recorda que as medidas foram mais duras ainda nessa primeira vaga, quando se fechou “a atividade económica, as escolas e todos tiveram de ficar em casa”, provocando “milhares de empregos perdidos e uma imensa perda de rendimento das famílias”, lembra. Por isso, insiste na ideia de “evitar contactos” para travar as cadeias de transmissão.

Também recorre ao argumento de solidariedade com os profissionais de saúde, que têm feito “um esforço imenso no acompanhamento de doentes” para voltar a pedir que os portugueses cumpram as regras deste quarto estado de emergência a que o país recorre por causa da pandemia e que conhecem este sábado uma nova fase ainda mais restritiva. “Podemos ajudar evitando que haja mais pessoas doentes que eles tenham de tratar”, disse Costa acabando o vídeo a pedir às pessoas que fiquem em casa neste fim de semana.

As medidas que foram anunciadas nos últimos dias conheceram um agravamento esta quinta-feira, depois de uma reunião do Conselho de Ministros que decidiu o fecho generalizado da atividade económica (salvo algumas exceções) e não apenas parcial como chegou a estar definido. O Governo carregou nas medidas, fechando (quase) tudo — incluindo as grandes superfícies comerciais onde já se assumia antecipar o horário da abertura para contornar as restrições — depois de terem sido levantadas várias dúvidas por parte do comércio e da restauração. No briefing desse Conselho de Ministros, António Costa assumiu mesmo as culpas pela confusão criada nas pessoas.