Uma plataforma de sete sindicatos, que esta sexta-feira se reuniu com a TAP, criticou a falta de informação sobre o plano de reestruturação da companhia aérea, classificando esta questão de “inacreditável”, segundo um comunicado.

Na nota, assinada pelo Sindicato dos Economistas (SE), Sindicato dos Engenheiros (SERS), Sindicato dos Contabilistas (SICONT), Sindicato das Indústrias Metalúrgica e Afins (SIMA), Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC), Sindicato dos Quadros da Aviação Comercial (SQAC) e pelo Sindicato dos Técnicos de “Handling” de Aeroportos (STHA), a plataforma mostrou-se crítica da atuação do Conselho de Administração (CA) da companhia aérea.

Após meses de silêncio por parte do CA da TAP, sobre [a] situação atual e suas consequências, eis que fomos convocados para uma reunião técnica, subordinada ao tema plano de reestruturação”, lê-se no comunicado.

Os sindicatos, à imagem do que fizeram outras estruturas representativas dos trabalhadores, lamentaram que “nenhum membro do CA ou CE [Comissão Executiva] da TAP” tenha estado presente, o que “é claramente uma ignomínia (leia-se desonra) perante a situação atual, i.e. não há uma liderança que dê a cara”.

A plataforma vincou ainda que “foi inacreditável não receber uma única informação sobre o plano de restruturação, que terá de ser entregue até ao próximo dia 10 de dezembro, na Comissão Europeia”.

“Sem menosprezar o trabalho feito e quem o apresentou, demonstrámos o nosso profundo desagrado e — repetimos o que já havíamos escrito — i.e. que não aceitaremos ser colocados perante factos consumados”, garantiram, lembrando que “todas as companhias aéreas europeias recorreram aos mecanismos temporários de ajudas de Estado, por força da pandemia (Covid-19)” o que lhes permite ter “7 anos para devolver os montantes das ajudas, a par da liberdade de execução dos seus planos”.

O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava) exigiu também esta sexta-feira que a Comissão Executiva da TAP os informe sobre as negociações no âmbito do plano de reestruturação, depois de uma reunião que considerou um “monólogo” dos representantes da companhia.

Esta quinta-feira, a Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) disse, por sua vez, que “urge saber quais as medidas concretas que terão impacto nos tripulantes de cabine” da TAP, depois de uma reunião semelhante.

Também o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) indicou que aguarda “nova reunião técnica” para perceber o impacto para esta classe profissional.

As reuniões com os representantes dos trabalhadores decorrem no âmbito do processo de reestruturação da companhia, cuja primeira fase do plano está já concluída, segundo o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos. Na semana passada, o ministro das Infraestruturas disse no parlamento que “a primeira fase” do plano de reestruturação da TAP “está feita” e que as negociações com os sindicatos iam arrancar “desde já