Uma semana depois de o mundo e os mercados terem exultado com o anúncio da americana Pfizer, a dar conta da taxa de eficácia de 90% da sua vacina durante a última fase de testes, e justamente no dia em que a também americana Moderna veio anunciar que a sua vacina confere uma proteção ainda maior (94,5%), esta segunda-feira arranca no Reino Unido mais uma fase de ensaios clínicos de mais uma vacina anti-Covid-19 — a da farmacêutica belga Janssen.

Ao todo, para além dos 6 mil voluntários já recrutados no Reino Unido, serão cerca de 30 mil os homens e mulheres de todo o mundo que vão participar nesta fase de ensaios da vacina — metade deles vão receber duas doses da vacina, com dois meses de intervalo, os restantes vão ser injetados com um placebo. Com este novo teste — a da Janssen é uma das 10 vacinas anti-Covid-19 na fase três de ensaios clínicos há algum tempo, mas aos voluntários tem sido dada apenas uma toma —, a farmacêutica belga quer perceber se as duas doses conferem uma imunidade mais forte e duradoura. Em menos de entre seis a nove meses, a Janssen não espera apresentar resultados.

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“É muito importante que exploremos muitas vacinas diferentes, de muitos fabricantes diferentes”, disse à BBC Saul Faust, o diretor da unidade de Southampton do Instituto Nacional de Investigação em Saúde, que vai liderar este novo ensaio. Só no Reino Unido são já 25 mil as pessoas a participar em testes do género, para três vacinas diferentes. “Não sabemos como é que cada uma destas vacinas se vai comportar e não podemos ter a certeza de que o fornecimento de vacinas por parte de um único fabricante será eficiente e seguro”, acrescentou ainda o cientista, quando questionado sobre o anúncio do sucesso da vacina desenvolvida pela Pfizer, em parceria com a alemã BioNTech.

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Enquanto a vacina da Pfizer utiliza parte do código genético do SARS-CoV-2, o novo coronavírus responsável pela pandemia de Covid-19, explica a BBC, a vacina da Janssen tem na base o vírus da constipação comum, geneticamente modificado de forma a ser inofensivo e parecido,  a nível molecular, com os coronavírus. A abordagem da farmacêutica belga, que passa por treinar o sistema imunitário para reconhecer e combater este tipo de vírus, é semelhante à da vacina que está a ser desenvolvida pela AstraZeneca em colaboração com a Universidade de Oxford — e que também está a ser testada no Reino Unido. A diferença: enquanto a da Janssen utiliza um vírus que afeta seres humanos, a da AstraZeneca infeta chimpanzés.

Ainda de acordo com a BBC, o Governo britânico já encomendou doses de seis vacinas anti-Covid-19 — e a da Janssen, com 30 milhões de doses, é uma delas.