O grupo parlamentar do PSD apresentou um requerimento a pedir a audição do embaixador de Moçambique em Lisboa, a propósito do agravamento da situação dos ataques na região moçambicana de Cabo Delegado, condenando também aqueles atos.

“O Grupo Parlamentar do Partido Social Democrata vem requerer que o Sr. Presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas possa convidar o Sr. Embaixador de Moçambique em Portugal, Dr. Joaquim Bule, o Dr. Nuno Rogeiro [comentador de política internacional] e o Dr. António Mateus [jornalista], para debater a política de cooperação de Portugal com Moçambique e os contributos que a mesma pode dar para acabar com a violência em Cabo Delgado”, refere o requerimento, entregue na última sexta-feira e a que a Lusa teve esta segunda-feira acesso.

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, tem sido alvo nos últimos anos de vários ataques desencadeados por grupos armados, dos quais têm resultado inúmeras vítimas entre a população local, refere o documento.

Esses ataques, segundo o requerimento, “motivados por questões religiosas, têm sido considerados como verdadeiros atos terroristas e, como tal, condenados pela comunidade internacional, com inúmeros apelos para o seu fim e para a condenação dos responsáveis pelos mesmos”, sublinham ainda os deputados social-democratas.

Portugal partilha uma ligação histórica e afetiva com Moçambique, tendo uma importante comunidade residente no país que, tal como a população local, acaba também por ser afetada por estes ataques e pela enorme insegurança que os mesmos provocam“, destacam os deputados.

Por isso, “ao mesmo tempo que se condena estes ataques, é fundamental garantir também um reforço” da cooperação portuguesa com Moçambique, “no sentido de contribuir para criar as condições para o fortalecimento da economia e sociedade moçambicanas e, em última instância, ajudar a criar as condições para que estes ataques não perdurem no tempo”.

Neste contexto, os parlamentares consideram que seria importante que a Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas pudesse ouvir um conjunto de personalidades que trouxessem uma visão sobre a cooperação portuguesa com Moçambique e apresentassem contributos para que a mesma pudesse ser ainda mais intensa e abrangente.

Várias personalidades nacionais e internacionais têm-se pronunciado nos últimos dias sobre os ataques e a violência, em crescendo, na província de Cabo Delgado, com relatos, inclusivamente de decapitações.

No último sábado, o chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou uma mensagem de solidariedade ao Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, face às notícias de violência em Cabo Delgado, e afirmou que Portugal está disponível para apoiar Moçambique.

A Conferência Episcopal de Moçambique classificou no mesmo dia como “crítica” e “muito instável” a situação no distrito de Muidumbe, Cabo Delgado, de onde emergiram há uma semana relatos de assassinatos que incluem decapitações.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, comentou os “recentes relatos de massacres perpetrados por grupos armados não estatais em várias aldeias na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, incluindo a decapitação e rapto de mulheres e crianças”, declarando-se “chocado”.

A violência armada naquela região de Moçambique já fez cerca de 2.000 mortes e 435.000 pessoas deslocadas.