James Symington, membro da terceira geração da empresa produtora, morreu aos 86 anos no passado dia 7 de novembro, informou esta segunda-feira a família em comunicado. Considerado uma “figura de destaque do setor do vinho do Porto”, com uma dedicação que foi além das quatro décadas, James “ajudou a criar os alicerces do atual sucesso da região”.

Foi o avô de James Symington que, chegado a Portugal em 1882, casou com Beatrice Leitão de Carvalhosa Atkinson, cuja família tinha raízes de longa data no vinho do Porto. Nascido em 1934 na cidade do Porto, James deixou o país durante dois anos aquando da Segunda Guerra Mundial, trocando Portugal pelo Canadá. Foi aliás na escala em Nova Iorque, no serviço transatlântico de hidroavião, que protagonizou uma histórica caricata, uma vez que chegou a Nova Iorque a segurar a rã que tinha levado do seu jardim no Porto: a “rã transatlântica” foi notícia de destaque no The New York Times, recorda o mesmo comunicado.

De uma vida recheada faz parte a comissão que iniciou em 1954 no exército britânico no Quénia, país com o qual estabeleceu uma relação especial — tornou-se inclusivamente fluente em Suaíli. Em 1960 surgem os primeiros sinais de recuperação face a um longo período de declínio nas vendas de vinho do Porto. Nesse mesmo ano casa e junta-se aos primos na empresa de família, começando como provador e loteador.

Cerca de uma década depois, começa a trabalhar na vertente comercial da empresa — cargo através do qual desenvolve novos mercados, como os EUA, o Canadá e a Escandinávia. E em 1985 funda a Premium Port Wines em São Francisco, tida como “a primeira empresa de distribuição criada nos Estados Unidos por qualquer empresa de vinho do Porto”.

O homem que tinha “um profundo amor pelo Douro” teve, juntamente com a mulher Penny, um filho, Rupert, e duas filhas, Clare e Miranda. Rupert é o atual CEO da Symington Family Estates.