É unânime: não terá havido um plano para 2020 que não tenha sido alterado pela pandemia de Covid-19. Em todos os domínios, muito se transformou na vida de cada um de nós, na das empresas e, sem exceção, na dos governos. Mas, no seu 75º aniversário, as Nações Unidas pedem a todos os empresários que não ponham de lado os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, uma agenda para que os decisores contribuam com o seu poder de inovação para um futuro mais inclusivo.

Repartidos por 17 áreas nas dimensões económica, social e ambiental, os desafios são tão diversos quanto erradicar a pobreza, promover a igualdade de género, ou adotar padrões de produção e consumo mais sustentáveis. A meta? É 2030, e está mesmo “ao virar da esquina”.

“A sustentabilidade está no ADN da Goldenergy”, afirma Carina Martins, responsável de Recursos Humanos da empresa comercializadora de eletricidade e gás, que é o quinto fornecedor no mercado liberalizado português. Mais de dois terços do quadro de pessoal é composto por mulheres, e “colocamos grande ênfase nas movimentações internas”, acrescenta o responsável, dando como exemplo dessa prática o facto de 67 por cento dos cargos de direção serem ocupados por mulheres, uma “melhoria em termos gerais da empresa”.

Garantir a participação plena das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança na vida económica é, precisamente, uma das medidas que a ONU defende para a promoção da igualdade de género. Embora tenha havido progressos nas últimas décadas, em média as mulheres ainda ganham menos 23 por cento do que os homens, em termos globais, segundo a Organização Internacional do Trabalho, que classifica o fosso salarial entre géneros como um dos maiores obstáculos ao “trabalho decente”.

Infografia: Teresa Dias Costa

“As coisas certas para o futuro”

Mas há outras desigualdades: as mulheres realizam duas vezes e meia mais trabalho doméstico não remunerado do que os homens, uma realidade que tende a aumentar no contexto pandémico atual, com as mulheres a assumir a responsabilidade de cuidadoras de crianças e adultos direta ou indiretamente afetados pela Covid-19. A pandemia veio exacerbar as desigualdades, e neste contexto de disrupção é o secretário-geral da ONU, António Guterres, quem afirma que “precisamos de tornar a recuperação [da Covid-19] numa oportunidade real de fazer as coisas certas para o futuro”.

Na Goldenergy, “outro dos pilares que fomentamos é a diversidade”, o que se reflete no facto de existirem “cinco nacionalidades numa empresa que tem sede em Vila Real e pouco mais de uma centena de colaboradores”. Essa multiplicidade é uma mais valia, assim como é a parceria com a Universidade de Trás os Montes e Alto Douro, com quem a Goldenergy estabeleceu um programa de estágios, e onde tem focado as suas iniciativas de recrutamento — a maioria dos colaboradores da energética têm uma formação superior.

A criação de parcerias com entidades locais é outra das prioridades da empresa, que está entre as dez com maior volume de faturação no distrito. “É fundamental que as empresas se responsabilizem pelas questões sociais do meio envolvente, e que promovam ações para diminuir desigualdades”, reforça a responsável de RH. Num concelho onde a taxa de desemprego aumentou, em Outubro, cerca de oito por cento face ao ano anterior, a Goldenergy está a preparar um programa de divulgação de carreiras envolvendo as escolas locais, mas não se fica por aqui. Entre Abril e Maio a empresa angariou, numa campanha online, mais de 10 mil euros para o Centro Hospitalar de Trás os Montes e Alto Douro.

Transposição para o trabalho 100% remoto

Vila Real é um das centenas de concelhos que estão, atualmente, sob estado de emergência devido à pandemia de Covid-19. Com o teletrabalho como regra, a Goldenergy chegou a ter a totalidade dos colaboradores em casa. “A digitalização foi e continua a ser uma grande aposta, e essa antecipação permitiu-nos uma rápida e ágil transposição para o trabalho 100 por cento remoto”, o que não foi um entrave ao “crescimento consolidado do negócio em todos os meses de 2020”, sublinha o responsável da empresa.

“Isto apenas é possível porque, além dos sistemas informáticos nos permitirem, existe uma equipa fantástica” e uma atitude que “reflete a nossa maneira de ser e estar no mercado energético: faster, better, cheaper. Estamos próximos, somos ágeis, e descomplicamos”, acrescenta. “Investimos em boas práticas de liderança, na procura de soluções para os problemas, e na comunicação em equipa, e dessa forma conseguimos adaptar-nos com sucesso a 100 por cento de teletrabalho, sempre que necessário”.

Energia 100% verde? Claro

Em todo o mundo, os clientes baseiam cada vez mais as suas decisões de compras na percepção do desempenho de sustentabilidade das empresas, dos produtos, e dos serviços que adquirem. O mercado da energia não é exceção: “a energia 100 por cento verde permite poupar no ambiente e no orçamento familiar, e os consumidores já se aperceberam disso”, afirma o responsável da Goldenergy.

A empresa, que foi classificada em vários trimestres de 2018 e 2019, quer pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, quer pela DECO, como tendo dos preços mais baixos para a eletricidade doméstica e gás natural, vem fornecendo, desde há um ano, eletricidade de fontes renováveis “em toda a oferta, e não apenas em determinados tarifários”. Mesmo assim consegue praticar “preços mais justos e acessíveis”, acrescenta o responsável, considerando que esta é uma “tendência veio para ficar”.

Além disso, a empresa implementou inúmeras medidas que respondem às suas preocupações com a sustentabilidade ambiental, “ao nível da iluminação, do aquecimento e arrefecimento das instalações, e também da mobilidade”, com uma frota de automóveis híbridos. Mas o principal, remata, “é a energia que usamos e comercializamos, por ser 100 por cento verde”.