O novo coronavírus poderá ter chegado a Itália mais cedo do que se pensava. Um estudo do Instituto Nacional do Câncer (INT), em Milão, concluiu que, em setembro de 2019, o vírus já circulava no país. O primeiro caso em Wuhan, na China, foi detetado em dezembro de 2019 e o primeiro caso conhecido em Itália, numa vila perto de Milão, a 20 de fevereiro.

Os dados apresentados no estudo “Unexpected detection of SARS-CoV-2 antibodies in the prepandemic period in Italy”, publicado no passado dia 11 de novembro na revista científica Tumori Jornal, foram recolhidos durante um despiste voluntário de cancro do pulmão, realizado entre setembro de 2019 e março de 2020. Dos 959 voluntários, 111 (11,6%) apresentaram anticorpos contra o novo coronavírus meses antes de este ser detetado em Itália.

O pico ocorreu na segunda semana de fevereiro, com mais de 30% de casos positivos, e o maior número registado na região da Lombardia (53,2%), uma das mais afetadas pela pandemia em Itália.

Giovanni Apolone, que coordenou o grupo de investigadores do INT, explicou à Reuters que os resultados obtidos indicam que “o novo coronavírus pode circular durante muito tempo e com baixas taxas de mortalidade sem que isso signifique que está a desaparecer”.

No estudo, os investigadores salientaram que os novos dados ajudam a clarificar a disseminação do vírus em 2019. Ao mesmo tempo, a descoberta de casos de Covid-19 anteriores ao início do surto em Wuhan e à confirmação do primeiro caso italiano pode mudar a história da pandemia.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), que sempre negou a existência de casos de Covid-19 anteriores ao surto de Wuhan, disse, nesta segunda-feira, que está a rever os resultados da investigação italiana e que vai procurar esclarecer a questão, refere a Reuters.