A carne bovina, muitas vezes definida como “carne vermelha”, tem sido apontada, nos últimos anos, como um alimento pouco saudável e associada a complicações na saúde. A sua indústria também tem sido acusada de ser uma das principais responsáveis pelo aumento dos níveis dos gases de efeito de estufa no ambiente, contribuindo para o aumento do aquecimento global. Mas até que ponto estas afirmações são realmente verdadeiras? Reunimos os principais mitos que existem sobre este tipo de carne que sempre fez parte da dieta mediterrânica, e que, afinal, também é saudável. Consumida com moderação e corretamente selecionada e cozinhada, a carne bovina pode ser um excelente alimento, rico em nutrientes e vitaminas essenciais. Há, contudo, cuidados importantes a seguir: escolher uma carne de qualidade e tratá-la corretamente com um bom manuseamento e uma conservação e confeção adequadas. Ao optar por adquirir carne do Reino Unido com o selo Quality Standard Mark (QSM), já estará a cumprir a primeira etapa de um consumo saudável que passa pela escolha de uma carne de qualidade comprovada. Conheça mais sobre a carne com este selo no site da Bife Lovers.

Em prol da saúde, é importante apostar em carne de qualidade, como a certificada com o selo Quality Standard Mark, disponibilizada pelo Agriculture and Horticulture Development Board

1. A produção de carne bovina contribui para o aumento dos níveis dos gases de efeito de estufa no meio ambiente.

É comum ouvirmos este mito, que convém ser desmistificado: o impacto da produção de carne bovina no ambiente varia consoante o país. A verdade é que a questão da sustentabilidade é um assunto cada vez mais presente neste tipo de indústria, que tem desenvolvido várias ações que visam a proteção do meio ambiente, especialmente nos países da União Europeia (EU) e em particular, no Reino Unido. Há estudos que provam que a criação de gado, em alguns países da União Europeia, especialmente no Reino Unido, onde houve um investimento contínuo na eficiência dos sistemas de produção, fez reduzir as emissões de CO2 em 24 por cento, desde 1990. Ou seja, o efeito líquido das emissões de CO2 para a atmosfera gerados pela criação de gado no Reino Unido representa apenas 3,7 por cento do total da “pegada ecológica”, uma vez que 35 por cento das emissões totais ficam retidas nos seus sistemas de pastagens. Para ter uma ideia mais precisa, 1 quilo de carne de bovino do Reino Unido gera apenas 17 mt’s de CO2, um número que fica bem abaixo da média da União Europeia.

2. A indústria de carne bovina tem contribuído para a desflorestação do mundo.

Uma vez mais, depende das políticas de produção aplicadas em cada país e será, sem dúvida, verdade nos países onde se destroem recursos florestais muito ricos para criar pastagens de exploração intensiva. Acontece que, no Reino Unido, 65 por cento dos terrenos agrícolas não poderiam ser utilizados para outro fim que não as pastagens. A sua gestão por meio de sebes e proteção de charcos não só permite a retenção da água e de elevados níveis de carbono no solo, como se transformam num grande catalisador de biodiversidade. Cerca de 770 espécies de flores selvagens e cerca de 1400 polinizadores (insetos) dependem destas pastagens para sobreviver.

Além disso, está provado que, se estes campos fossem alocados a outra atividade, a libertação de CO2 para a atmosfera seria muito maior. Estudos recentes comprovam que as pastagens no Reino Unido são muito mais eficientes na retenção de carbono do que as florestas. Enquanto que nos campos de pastagem o carbono é retido no solo, nas florestas, fixa-se nas folhas e na biomassa. A limpeza das florestas remove parte dessa retenção. Já para não falar dos incêndios, que quando ocorrem promovem a sua libertação total. Está também provado que, no caso da agricultura, 56 por cento do total das emissões são de metano. Ora, enquanto o metano ao fim de 10 anos se transforma em água, o CO2 demora cerca de 200 anos para desaparecer do ambiente, contribuindo em larga escala para a formação dos gases com efeito de estufa.

3. A criação destes animais não proporciona as condições necessárias ao seu bem-estar e promove o seu sofrimento.

O pastoreio de uma carne bovina certificada, como a que contém o selo Quality Standard Mark, segue vários critérios que asseguram o bem-estar animal, mesmo perante as condições climatéricas mais adversas. No Reino Unido, os animais são criados em pastagem grande parte do ano. E no inverno, estes animais podem ser alimentados em estábulos devidamente ventilados, propícios ao seu repouso, onde recebem suplementos de rações adequados às suas necessidades nutricionais. Em alguns casos, são utilizadas roldanas aéreas para a lavagem do gado, assegurando, assim, a sua higiene e conforto. O Reino Unido é, aliás, um dos quatro países da União Europeia distinguidos com a nota máxima do Animal Protection Index, o barómetro da World Animal Protection que classifica os países de acordo com o bem-estar animal.

4. O consumo da carne vermelha pode favorecer o ‘mau colesterol’ e trazer complicações para a saúde.

De facto, o consumo de carne de bovino é, muitas vezes, desaconselhado no planeamento de uma dieta saudável, devido a implicações derivadas do seu consumo excessivo. No entanto, o seu consumo regrado pode (e deve) fazer parte de uma dieta saudável. Especula-se muito que a carne vermelha, principalmente a de bovino, possa fazer mal à saúde por ser uma fonte do chamado ‘mau colesterol’, dada a presença de gorduras saturadas na sua composição, e por ser, provavelmente, cancerígena, de acordo com um relatório da OMS, divulgado em 2015. Acontece que a carne vermelha é benéfica para a saúde, desde que seja bem conservada, devidamente limpa e confecionada. Além de ser um alimento natural, em oposição às carnes “processadas”, essas sim, bem mais nocivas para a saúde, devido aos tratamentos a que são sujeitas ou aos ingredientes que são utilizados na sua preparação e confeção. O consumo da carne bovina certificada pode ser ainda mais saudável, se optarmos por cortes mais magros e pela remoção da gordura que possa residir nas junções dos diferentes músculos ou da gordura exterior.

Outro fator importante a ter em conta é o tipo de alimentação que é fornecido ao gado bovino. Convém distinguir a carne grass-fed, ou seja, aquela que provém do gado que é alimentado à base de erva e trevo, como acontece no caso do Reino Unido, da carne grain-fed, dominante em países de explorações intensivas, em que o gado é sobretudo alimentado com grãos de cereais, especialmente milho e soja. Ora, a carne grass-fed deve ser sempre a nossa preferência, não só porque tem menos gordura na sua composição, como nutricionalmente é muito mais rica. Comparativamente com a carne grain-fed, a  grass-fed apresenta cerca de cinco vezes mais ácidos ómega-3 e duas vezes mais CLA (ácido linoleico conjugado).

5. Do ponto de vista nutricional, este tipo de carne apresenta poucos benefícios.

É, sem dúvida, um mito. A carne de bovino grass-fed (especialmente as suas partes magras) tem apenas uma pequena quantidade de gorduras saturadas e são uma fonte muito importante de proteína. É também uma fonte de vários nutrientes importantes para a manutenção da nossa saúde, como as vitaminas B3, B6 e B12, o potássio, o ferro, o fósforo e o zinco, fornecendo em alguns destes casos, quantidades muito relevantes, no que se refere à DDR (dose diária recomendada), e que não são muito fáceis de obter através de outros alimentos. A carne grass-fed — com origem no Reino Unido — aporta também maiores quantidades de betacaroteno, precursores da vitamina A e de vitamina E, que protegem as membranas celulares da oxidação responsáveis pelo envelhecimento, comparativamente com a carne grain-fed.

No entanto, para usufruirmos de todos estes benefícios, é importante seguir alguns cuidados na preparação deste tipo de carne. Optar por métodos de cozinha lenta, como estufados e guisados, e sempre que possível evitar o uso excessivo de sal, substituindo-o por especiarias, são hábitos que todos devemos adotar. Se preferir carne grelhada (no carvão), deve optar por cortes malpassados ou médios e, sobretudo, evitar a formação de partes carbonizadas por demasiada exposição ao fumo, que são nefastas para a saúde. Acompanhar a carne de bovino com alimentos protetores, como produtos hortícolas e/ou fruta, também ajuda a tornar uma refeição à base de carne vermelha muito mais saudável.