Começou a ligação ao futsal como treinador na formação do Brinca N’Areia, passou pelo Bons Dias, esteve ainda duas temporadas no Atlético de Odivelas, fez parte depois da equipa técnica dos seniores do Bons Dias onde tinha como líder Paulo Fernandes (que mais tarde rumaria a Alvalade). Em 2000/01, quando Orlando Durante estava no comando da equipa técnica do Sporting, mudou-se para os leões, ficando nesse primeiro ano com toda a parte das observações aos adversários e das estatísticas. Subiu depois a secretário técnico, foi diretor desportivo em 2009/10, ascendeu a diretor geral duas épocas depois e, em setembro de 2018, após a eleição de Frederico Varandas, voltou a ser promovido a diretor geral das modalidades. Duas décadas depois, Miguel Albuquerque está de saída.

Sporting suspende diretor geral das modalidades, Miguel Albuquerque, após condenação em 2019 por violência doméstica

Suspenso há quase um mês pelo clube, o (agora) antigo responsável pelas modalidades assinou esta tarde o acordo de rescisão com o Sporting, num desfecho aguardado por alguns mas que o próprio não queria – e que em termos internos alguns não compreendem. “O Sporting Clube de Portugal vem por este meio comunicar que em virtude das notícias hoje vindas a público sobre o diretor geral das modalidades, Miguel Albuquerque, o seu contrato de trabalho encontra-se suspenso com efeitos imediatos”, referira o clube em comunicado a 22 de outubro.

A posição foi tomada no seguimento de uma notícia publicada pelo Correio da Manhã (que fez mesmo a capa desse dia), que dava conta da condenação a dois anos e dois meses de prisão com pena suspensa no ano passado por violência doméstica contra a ex-mulher. Ao mesmo jornal, o Sporting tinha afirmado inicialmente que “não teve conhecimento de qualquer sentença de condenação com esse conteúdo”, frisando até que Albuquerque e a ex-mulher “exercem funções no Estádio José Alvalade, no mesmo departamento das modalidades”. No entanto, poucas horas depois, a missiva publicada pelo clube acabou por inverter essa posição inicial à publicação. E é aqui que entroncam as dúvidas: de acordo com o que foi referido ao Observador por algumas fontes internas, o caso já era conhecido no clube e nunca houve qualquer conversa com Miguel Albuquerque sobre o mesmo.

Enquanto diretor geral do futsal, o antigo dirigente esteve na conquista de cinco Campeonatos, quatro Taças de Portugal, cinco Supertaças, duas Taças da Liga e quatro Taças de Honra. Entre setembro de 2018 e outubro de 2020, já como responsável de todas as modalidades, os leões ganharam quatro títulos europeus (a UEFA Futsal Cup, a primeira de sempre do clube; a Liga Europeia de hóquei em patins, a que se seguiu a Taça Continental; a Liga dos Campeões de judo, também inédita; e a Taça Europeia de clubes de corta-mato feminino).

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“Chega hoje ao fim a minha ligação ao Sporting. Foram 20 anos percorridos com o orgulho, honra e privilégio de servir o clube do meu coração, e que possibilitou tornar-me um dos dirigentes mais titulados da sua história, algo que nunca vou conseguir retribuir. Foi um longo caminho, trilhado numa estrada sinuosa, entre muitas dificuldades, com centenas de treinadores, atletas, colaboradores, dirigentes e presidentes, crescendo e aprendendo com todos. Passei por todas as etapas de crescimento no dirigismo, sempre focado no trabalho, na exigência, na cultura de vitória e na defesa intransigente do Sporting”, começou por destacar Miguel Albuquerque numa mensagem de despedida após a rescisão de contrato que publicou na sua página de Facebook.

“Ao longo destes 20 anos travei muitas batalhas; a verdade é que o fiz sempre na defesa do clube, exigindo o respeito, inabalável e inquestionável, pelo Sporting, nunca me refugiando ou escondendo, porque é isso que o Sporting merece: a defesa intransigente – e permanente – do clube! Lutei sempre por um Sporting melhor e mais forte, com voz, com exigência e rigor nas suas modalidades. Fi-lo até ao último dia e isso nunca ninguém irá conseguir apagar”, prosseguiu o antigo diretor das modalidades verde e brancas.

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“Quis o destino que um episódio da minha vida pessoal – que não minimizo e jamais esquecerei – com mais de três anos e do qual não me orgulho tenha sido trazido de novo à praça pública. Um episódio que ‘renasceu’, um ano e meio depois de totalmente encerrado, ‘como se tivesse sido ontem’, expondo a minha vida privada, servindo de mote para o fim de uma relação longa e vitoriosa. Na memória ficam as amizades, algumas (poucas) para a vida; as derrotas, que me fizeram crescer e ter cada vez mais força mesmo quando ninguém acreditava; as conquistas, que rapidamente aprendi que são efémeras e que as devemos saborear – pois nunca sabemos quando teremos a próxima. A partir de hoje sou apenas mais um sócio, dentro de uma família com mais de 3,5 milhões de ‘leões’. Estarei sempre disponível para ajudar o Sporting porque nunca conseguirei retribuir ao clube tudo o que o clube me deu. Hoje saio do Sporting mas o Sporting jamais sairá de mim”, concluiu.

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“O Sporting informa que terminou contrato, por acordo, com Miguel Albuquerque. Ao antigo diretor geral das modalidades do clube, o Sporting agradece os anos de dedicação e o trabalho”, confirmaram os leões a esse propósito, num comunicado de duas frases publicado no site oficial do clube.