O livro A Cidade de Vapor, que reúne os contos do escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón, a maioria deles inéditos, é editado esta semana em Portugal, pelo grupo editorial Planeta.

A coletânea “A cidade de vapor – Todos os contos” é editada escassos meses depois da morte do autor espanhol, ocorrida em junho passado, mas o trabalho de os reunir num só volume tinha sido pensada e planeada pelo escritor.

Numa nota introdutória, o editor Émile de Rosiers Casrellaine explica que Zafón não queria “uma mera recompilação de todos os seus contos”, mas uma espécie de “agradecimento aos seus leitores”, que o tinham acompanhado ao longo da tetralogia O cemitério dos livros esquecidos.

Segundo o editor, esta coletânea de contos “é uma ampliação do mundo literário” da tetralogia, “seja por desenvolver aspetos desconhecidos de uma ou outra personagem, seja por ir mais fundo na história da construção da mítica biblioteca, seja ainda porque a temática, os motivos ou o ambiente que envolve esta série vão parecer familiares aos leitores da saga”.

Morreu o escritor Carlos Ruiz Zafón, autor de “A Sombra do Vento”

Assim, A Cidade de Vapor apresenta onze contos que fazem a ponte com personagens e temas dos quatro volumes de “O cemitério dos livros esquecidos”, o sucesso literário da vida de Carlos Ruiz Zafón, editado entre 2001 e 2016.

A personagem David Martín, jornalista, que figura nos romances O jogo do anjo e O prisioneiro do céu, aparece também no conto “Blanca e o adeus”, que abre a compilação. O mesmo acontece com a personagem Daniel Sempere, o livreiro de A sombra do vento, que é citada na narrativa curta “O príncipe de Parnaso”, através de um antepassado, Antoni de Sempere.

“As histórias vão-se entrelaçando através da voz narrativa, a cronologia ou os pormenores, para nos desenhar um mundo que se ergue exuberante diante dos nossos olhos, por muito que seja um mundo de ficção, um universo de vapor”, escreveu o editor, na nota introdutória.

Carlos Ruiz Zafón: “A literatura é uma amante cruel”

Carlos Ruiz Zafón morreu a 19 de junho passado, aos 55 anos, em Los Angeles, Califórnia, onde morava, deixando uma obra literária curta, mas de enorme sucesso internacional, em particular pela tetralogia O cemitério dos livros esquecidos, composta pelos livros A sombra do vento, O jogo do Anjo, O prisioneiro do céu” e O labirinto dos espíritos.

Com A sombra do vento, traduzido em mais de 40 línguas, Carlos Ruiz Zafón venceu em 2006 o prémio Correntes de Escritas/Casino da Póvoa de Varzim, entre outras distinções internacionais.

Nascido em Barcelona, em 1964, foi educado num Colégio Jesuíta, cursou jornalismo, trabalhou em agências de publicidade e editou o primeiro romance, O príncipe da neblina, em 1993, tendo ganhado o prémio juvenil Edebé.

Em Portugal está publicada grande parte da obra do escritor catalão, incluindo ainda o romance Marina e os títulos O palácio da meia-noite e As luzes de setembro, também reunidos, juntamente com O príncipe da neblina, na intitulada Trilogia da neblina, para leitores mais jovens.