Um juiz ordenou esta quarta-feira que o Governo dos EUA pare de expulsar crianças imigrantes que cruzam sozinhas a fronteira sul do país, interrompendo uma política que resultou em milhares de deportações durante a pandemia de Covid-19.

O Governo do Presidente Donald Trump expulsou pelo menos 8.800 crianças desacompanhadas, desde março, quando emitiu uma declaração de emergência, alegando a pandemia de Covid-19 para impedir que a maioria das pessoas que cruzam a fronteira permaneçam nos Estados Unidos.

Os agentes de fronteira forçaram muitas pessoas a regressar ao México imediatamente, enquanto detiveram outras em instalações ou hotéis, às vezes por dias ou semanas.

A ordem de Sullivan proíbe apenas a expulsão de crianças que cruzam a fronteira desacompanhadas dos pais, mas o Governo expulsou mais de 147.000 pessoas desde março, incluindo adultos, pais e filhos que viajavam juntos.

O Departamento de Justiça ainda não anunciou se vai recorrer desta decisão judicial.

Até agora, o Governo tem argumentado em tribunal que precisa expulsar as crianças que cruzaram recentemente a fronteira — com ou sem autorização — para evitar a infeção dos agentes de fronteira.

A declaração de emergência foi feita por Robert Redfield, diretor dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) e do Departamento de Justiça, em 02 de outubro, invocando pareceres das autoridades sanitárias.

A agência Associated Press noticiou, em 03 de outubro, que os principais funcionários do CDC resistiram em emitir a declaração porque faltavam bases de sustentação em pareceres de saúde pública, mas o vice-Presidente Mike Pence ordenou a Redfield para prosseguir com a política governamental.

Os opositores de Trump acusam o Governo de usar a pandemia como pretexto para restringir a imigração e dizem que os agentes podem deter menores para fazer teste de Covid-19, sem as devidas garantias legais de proteção de crianças.