O Bloco de Esquerda (BE) afirmou-se esta quarta-feira disponível para conversar com o Governo sobre o Orçamento do Estado de 2021 (OE2021), mas espera que seja “o Governo e o PS a darem um passo” nesse sentido.

“Faz falta agora o Governo e o PS darem algum passo se quiserem” um “entendimento, que o BE considera muito importante”, afirmou a coordenadora bloquista, Catarina Martins, depois de um encontro com o Conselho Nacional de Juventude (CNJ), em Lisboa.

Depois de anunciar as suas 12 propostas para a generalidade no Orçamento, que apresentou como essenciais para viabilizar as contas do executivo para 2021, não houve avanços, a avaliar pelas palavras de Catarina Martins, que, questionada por diversas vezes, não respondeu diretamente se já houve conversações com os socialistas.

Até ver não houve nenhum sinal sobre essa matéria, mas as votações na especialidade ainda não aconteceram”.

E sobre eventuais encontros com o Governo, foi evasiva: “Temo-nos encontrado todos os dias no parlamento, nas várias audições.”

Para o Bloco, que votou contra o OE2021 na generalidade, há pouco menos de um mês, o “entendimento muito importante” na atual crise causada pela pandemia de Covid-19 exige “respostas sociais fortes”.

Em quatro pontos, Catarina Martins lembrou que os bloquistas apresentaram “um compromisso com o país” em que defendem, por exemplo, a continuação, em 2021, dos apoios extraordinários para os trabalhadores afetados, sem esquecer os precários, que os apoios públicos às empresas tenham como condição a manutenção do emprego e o reforço de meios no Serviço Nacional de Saúde (SNS), “mais médicos e mais funcionários”.

Apesar de as votações na especialidade do OE2021 começarem na próxima semana, “dentro de dias”, a coordenadora do Bloco recordou que as negociações com o governo duram “há quatro meses”.

No BE nunca nos faltou nem determinação nem vontade em nenhum desses dias”.

O Orçamento do Estado de 2021 foi viabilizado, no parlamento, em outubro, apenas com os votos favoráveis do PS, os votos contra do PSD, BE, CDS, Iniciativa Liberal e Chega, e a abstenção do PCP, PEV, PAN e das duas deputadas não inscritas.

A votação final global está agendada para a próxima quinta-feira, 26 de novembro, na Assembleia da República.