Um grupo de estudantes das universidades do Porto e do Minho criaram um modelo “inovador” que permite aumentar o número de doadores ao Banco Alimentar, conquistando o prémio da Eurekathon, competição de ‘data science’, anunciou esta quarta-feira a organização.

“A Hunger Byte, equipa composta por seis alunos de engenharia da Universidade do Porto e Universidade do Minho, foi a grande vencedora da segunda edição da Eurekathon, a competição de ‘data science’ promovida pela Porto Business School, LTPlabs e NOS, com a criação de um modelo que permite aumentar o número de doadores ao Banco Alimentar”, lê-se num comunicado enviado à comunicação social.

Com recurso à base de dados do Banco Alimentar e do grupo de comunicações e entretenimento português NOS, e através do cruzamento dessas informação com métricas sociais e demográficas, Catarina Rocha Leite, Bernardo Franco, Guilherme Pinheiro, João Azevedo, Luís Bulhosa e Pedro Machado conseguiram identificar o perfil do potencial doador e as freguesias portuguesas onde há maior discrepância entre esses e o número de doações feitas ao Banco Alimentar.

Este grupo de estudantes universitários desenvolveu um modelo que prevê em que freguesias há mais margem para aumentar o número de doadores e a quantidade de alimentos doada por cada um, mas também aquelas em que não valerá a pena investir.

Com este modelo, os estudantes também confirmaram que se o Banco Alimentar direcionasse as suas campanhas de marketing, recorrendo ao envio de SMS (mensagens de texto) e e-mail (correio eletrónico), de notas nas faturas da NOS ou de campanhas exclusivas para determinadas freguesias, conseguiria aumentar em “oito vezes a capacidade de chegar a potenciais doadores, em vez de o fazer aleatoriamente”, acrescenta a nota de imprensa.

Os seis vencedores da Hunger Byte conquistaram um prémio de dois mil euros, sendo que 400 euros vão ser doados a uma Organização Não Governamental (ONG).

Concorreram ao prémio Eurekathon mais de 200 participantes de diferentes nacionalidades, distribuídos por 28 equipas, que foram acompanhados por diferentes mentores de empresas como a Bosch, Farfetch, Sport Lisboa e Benfica, Talkdesk, entre outras.

“Muitas vezes, achamos que as instituições de solidariedade social se limitam a exercer caridade, levando apenas afetos e produtos, nunca nos lembrando que se trabalharmos dados podemos estar a contribuir para a resolução de um problema. Se pudermos ajudar estas pessoas de uma maneira mais efetiva, com os dados que dispomos, todos ganham”, considera Isabel Jonet, presidente da Federação dos Bancos Alimentares Contra a Fome.

A Eurekathon é um programa de e sobre pessoas, de capacitação e talento exclusivo que usa e trabalha os dados com foco na criação de um mundo melhor. A Eurekathon tira partido da capacidade e criatividade de mais de 200 pessoas, que se dedicam voluntariamente a ajudar o Banco Alimentar para solucionar um problema com grande impacto social”, explica, por seu turno, Rui Coutinho, diretor executivo de Inovação e Crescimento da escola de negócios Porto Business School e um dos membros do júri da Eurekathon.

A competição ocorreu virtualmente entre 5 e 7 de novembro e houve seis projetos finalistas.