O diretor do departamento de cibersegurança norte-americano, que garantiu que as eleições presidenciais foram seguras, foi demitido esta terça-feira por Donald Trump — que continua a insistir que houve fraude eleitoral. O anúncio foi feito pelo próprio Trump em duas publicações na rede social Twitter em que anuncia que Chris Krebs, responsável pela Cybersecurity and Infrastructure Security Agency (CISA), que integra o Departamento de Segurança Interna dos EUA, cessou funções precisamente pelas suas declarações públicas destas conclusões.

“As declarações recentes de Chris Krebs relativamente à segurança das eleições de 2020 foram extremamente erróneas, uma vez que existiram massivas indecências e fraudes — incluindo situações de pessoas mortas que votaram, observadores que não tiveram acesso aos locais de contagem de votos, ‘erros’ nas máquinas de contagem que mudaram os votos de Trump para Biden, votações para além da hora permitida e muitos outros casos. Assim, com efeitos imediatos, Chris Krebs tem as suas funções terminadas como diretor da Cybersecurity and Infrastructure Security Agency”, lê-se.

Horas antes o CISA tinha emitido um comunicado em que concluía não ter encontrado qualquer evidência de fraude eleitoral. “Não se encontrou qualquer prova que qualquer sistema de escrutínio apagou ou perdeu votos, modificou votos ou foi de alguma forma comprometido”, escreve o comité especializado da CISA responsável pela cibersegurança do ato eleitoral no referido documento, citado pelo Washington Post.

“Temos conhecimento que existem muitas alegações infundadas e oportunidades de desinformação acerca do processo eleitoral, mas podemos garantir com a máxima confiança a segurança e integridade das nossas eleições”.

Depois do comunicado, Krebs também apelou no Twitter que os utilizadores reproduzissem ou partilhassem desinformação. Segundo a CNN, mesmo depois de ser demitido, o responsável fez uma publicação no seu perfil a afirmar que considerava ter feito tudo bem. Mudou também a sua ocupação profissional: “Costumava ser o diretor do CISA, agora vou reintroduzir-me à minha família”, escreveu.

Krebs, de 43 anos, era executivo na Microsoft e foi convidado pela administração de Trump há dois anos precisamente para preparar o processo eleitoral e proteger os sistemas contra a interferência russa e criando um site que pudesse controlar “rumores”, escreve o The New York Times.  Mas já em junho Krebs começou a dizer que achava que ia ser demitido, porque Trump começou logo a desacreditar a votação por correspondência.

O agora ex-diretor acredita que ficou logo numa espécie de lista negra de Trump, que incluía Mark T. Esper, que foi demitido do secretário de defesa logo após a eleição; Christopher A. Wray, o F.B.I. diretor; e Gina Haspel, a diretora do C.I.A, Wray e Haspel permanecem em seus empregos.