Dois eurodeputados do Partido Socialista pediram esta quinta-feira ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, um “envolvimento mais profundo e ativo da comunidade internacional” em Moçambique, particularmente na região de Cabo Delgado que tem sido palco de violência armada nos últimos três anos.

Numa carta, os eurodeputados Isabel Santos e Carlos Zorrinho relembraram os “episódios em que grupos armados mataram dezenas de pessoas, frequentemente com violência atroz” e, apesar de saudarem “a firme condenação destes ataques” por parte da ONU, pedem “uma intervenção mais concreta, quer das instâncias comunitárias, quer das autoridades moçambicanas”.

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Segundo os eurodeputados, é necessário “reconhecer que os apelos das várias personalidades não têm tido eco no terreno”.

Estamos conscientes dos vários constrangimentos, mas importa reforçar a estratégia de diálogo e cooperação entre as várias organizações com vista a medidas concretas no terreno para ultrapassar as dificuldades existentes”, afirmam.

Para os eurodeputados do PS, “todos os esforços devem ser convocados para garantir a estabilidade” de Moçambique e impedir que os ataques jihadistas se alastrem a todo o país. Assim, pedem um “envolvimento mais profundo e ativo da comunidade internacional” reunindo os “esforços” da União Europeia, das Nações Unidas e de todas as organizações regionais.

A violência armada em Cabo Delgado dura há três anos e está a provocar uma crise humanitária com cerca de 2.000 mortes e 435.000 pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos suficientes – concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.