O Presidente do Governo da Madeira anunciou esta que vão ser divulgadas “regras complementares” devido ao regresso de milhares de estudantes e emigrantes para as comemorações do Natal, tendo recusado a antecipação das férias nas escolas da região.

“Vamos, na próxima semana, anunciar um conjunto de regras e procedimentos complementares aos que estão disponibilizados, no sentido de melhorarmos as condições de segurança e de circulação nesta época difícil que se avizinha”, disse Miguel Albuquerque à margem da visita que efetuou ao novo arruamento, no porto do Funchal, que tem o nome do ator madeirense Virgílio Teixeira.

O governante insular salientou que a região vai ter de lidar com a situação dos “cerca de 4.000 estudantes que regressam do continente e dos emigrantes” e relembrou que as ‘festas’ [Natal] “vão ser condicionadas e vão estar submetidas a um conjunto de procedimentos e regras”.

O chefe do Executivo Regional de coligação PSD/CDS insistiu que, apesar do aumento de casos no arquipélago nos últimos dias, a Madeira não regista qualquer situação de “transmissão comunitária”, pelo que as atuais medidas adotadas “vão manter-se em vigor”.

Questionado sobre a possibilidade de antecipação das férias escolares, dado que têm surgido diversos casos em vários estabelecimentos de ensino e infantários, Miguel Albuquerque disse ser uma medida a “estudar” caso seja necessário.

Contudo, argumentou que as escolas são, neste momento, um dos locais “mais seguros para as crianças e jovens”.

O responsável realçou que as escolas “estão a cumprir escrupulosamente aquilo que são os procedimentos e regras da Autoridade Regional de Saúde” em matéria de prevenção da Covid-19.

Se anteciparmos as férias escolares e encerramos mais cedo as escolas, temos imediatamente um problema porque os pais têm de ficar em casa, as crianças voltam para casa e podem estar em contacto com os irmãos mais velhos que regressem do continente e teremos uma perda de controlo da situação”, opinou.

Miguel Albuquerque destacou que, “neste momento, não há casos de contaminação nas escolas e os planos de contingência têm funcionado muito bem”, complementando que “tem havido o alerta” quando surgem casos e “os procedimentos mantêm-se”.

Por isso, para o presidente do Governo da Madeira, seria “contraproducente o encerramento antecipado das aulas”, o que poderia representar “uma perda de controlo da situação que neste momento está monitorizada” e que as autoridades de saúde têm “tido capacidade de acompanhar”.

“Obviamente que estamos sempre sujeitos a circunstâncias que não controlamos e, se surgir um surto complicado, vamos ter de fazê-lo”, referiu.

Mas, reforçou, “neste momento, uma das melhores formas de termos a situação controlada e evitar a propagação da pandemia é mantermos os nossos estudantes e professores nas aulas”.

De acordo com os últimos dados, divulgados na quarta-feira pelo Instituto da Administração de Saúde da Madeira, a região reportou 23 novos casos positivos de Covid-19, entre os quais seis crianças com idades até os 2 anos que frequentam dois infantários, totalizando 162 situações ativas.

Destes novos casos, 13 são importados e foram identificados na operação de despiste montada no Aeroporto da Madeira, existindo outros 10 que são de transmissão local, associados a contactos de casos positivos anteriormente identificados, referiu a autoridade regional de saúde no boletim epidemiológico diário.

A pandemia de Covid-19 provocou pelo menos 1.350.275 mortos resultantes de mais de 56,2 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 3.632 pessoas dos 236.015 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.