Os CTT condenaram esta quinta-feira a greve convocada por algumas organizações representativas dos trabalhadores, nomeadamente devido à data escolhida, garantindo que não faltam colaboradores no quadro e que vão ser pagos prémios aos trabalhadores.

Os CTT condenam e lamentam veementemente a greve convocada por algumas organizações representativas dos trabalhadores para os dias 30 de novembro (segunda-feira, véspera de feriado), 2 e 3 de dezembro”, notaram, em comunicado, os Correios.

Apesar de respeitarem o direito à greve, os CTT repudiam as datas escolhidas e os fundamentos da paralisação.

Trabalhadores dos CTT fazem greve dia 30 de novembro e 2 e 3 de dezembro

No documento, os Correios vincaram que os compromissos com os trabalhadores têm sido assegurados, sublinhando que, perante a Covid-19, não recorreram ao regime de layoff, comparticiparam a vacina contra a gripe e anteciparam o pagamento do subsídio de Natal e dos prémios extraordinários.

Para os CTT, questionar a atribuição de prémios e a antecipação do subsídio “é de uma enorme insensatez”, ressalvando, no entanto, que este custo “em nada é comparável com o impacto que um aumento salarial teria nos resultados da empresa”. Os Correios lembraram ainda que, anualmente, já estão salvaguardadas a diuturnidades e progressões de carreira, tendo o incremento sido, em média, de 4% nos últimos três anos.

Por outro lado, sublinharam que os resultados da empresa estão a ser “fortemente” impactados pela pandemia e que o crescimento do tráfego de encomendas não compensa a descida do negócio correio, acrescentando que, à semelhança do que aconteceu noutros setores, houve um “incremento considerável” de custos para proteger os trabalhadores face ao novo coronavírus.

Os CTT rejeitam também as acusações de que faltam trabalhadores no quadro e de que a prestação do serviço postal universal não cumpre os padrões de qualidade, notando que sempre cumpriram o indicador geral de qualidade até que, em 2018, “a dois anos do fim do contrato de concessão”, a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) “decidiu alterar os critérios”.

Neste sentido, em 2019, os CTT não conseguiram alcançar os objetivos definidos, embora, “na sua larga maioria, os resultados se aproximem ou sejam superiores a 90%”. Já no que se refere ao contrato de concessão, a empresa reiterou que é sua vontade ser o prestador público universal, defendendo ainda que o contrato deve ser “justo, equilibrado” e servir o interesse das partas.

Adicionalmente, os CTT afirmaram ser necessário repensar o serviço público e a sua própria natureza, uma vez que a queda do correio endereçado é um desafio “de todo o país” e que as falhas de mercado que o serviço postal universal quer suprimir “estão em mutação” devido à digitalização.

“Os CTT lamentam que as motivações políticas dos sindicatos se sobreponham à sustentabilidade da empresa e preservação dos postos de trabalho”, afirmaram os Correios, assegurando que tudo vão fazer para minimizar o impacto da greve.

Na terça-feira, em declarações à Lusa, o secretário geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT), Vitor Narciso, disse que a greve deverá ter “um grande impacto no atendimento e no tratamento e distribuição de correspondência, mas é essa a intenção, para que a empresa perceba a indignação dos trabalhadores e a opinião pública perceba o que se passa nos CTT”.

De acordo com o sindicalista, o objetivo é que “seja reposta a normalidade nos CTT em termos de contratação coletiva e de qualidade do serviço público que é prestado à população, que é cada vez pior, com os atrasos a aumentar na distribuição de correspondência”.

Vitor Narciso lembrou que o processo negocial se arrastou desde o início do ano e acabou sem qualquer acordo, já em fase de conciliação do Ministério do Trabalho, com a empresa a alegar falta de liquidez para os aumentos salariais.

A empresa disse que não tinha dinheiro, mas pouco depois distribuiu prémios, com critérios subjetivos, e antecipou o pagamento do subsídio de Natal, parece que o problema não seria a alegada falta de liquidez, mas sim a falta de vontade de aumentar os salários”, afirmou.

O SNTCT é um dos oito sindicais envolvidos nas negociações com os CTT que convocaram a greve de três dias que decorrerá a nível nacional. A greve dos CTT abrange a distribuição postal e a rede de atendimento.