Estudantes da Escola Superior de Saúde Santa Maria, no Porto, desenvolveram um projeto que visa, através de uma unidade móvel, prestar cuidados de fisioterapia nas regiões mais “esquecidas” do país e promover o envelhecimento ativo, revelaram esta sexta-feira os responsáveis.

A pandemia da Covid-19 “ainda não existia” quando José Roberto Abreu Machado e Beatriz Miranda, ambos finalistas do curso de fisioterapia da Escola Superior de Saúde Santa Maria, começaram a desenvolver o projeto Saúde Sobre Rodas: Um projeto Social.

“Quando avançamos com a ideia ainda não existia a Covid-19. Apostámos nesta solução porque gostamos muito da fisioterapia ao domicílio, mas não gostávamos do facto de termos de invadir a habitação do utente”, explicou, em declarações à Lusa, Beatriz Miranda, de 22 anos.

Sendo o lema deste projeto “não invadir a casa dos utentes”, os jovens acreditam que o momento atual pode ser “uma janela de oportunidade” para o modelo de negócio que desenvolveram: uma carrinha de prestação de cuidados de fisioterapia.

O nosso objetivo é poder ajudar as pessoas que vivem no interior e não tem tanto acesso a clínicas de fisioterapia. Nesse sentido, a unidade móvel deslocar-se-ia às regiões mais desfavorecidas e esquecidas das cidades ou aldeias”.

Saúde Sobre Rodas foi o vencedor da 11.º edição do Prémio AUA!, iniciativa que visa desafiar os jovens universitários a desenvolverem uma solução para uma área concreta e explorarem a sua vertente empreendedora.

A distinção, no valor de sete mil euros, vai permitir que o projeto “não fique só no papel” e possa ser mostrado às autarquias, sendo esse o próximo objetivo dos jovens.

Queremos mostrar o projeto às autarquias, porque o feedback que temos é muito bom. Poderemos dar um passo em frente e este projeto poderá fazer a diferença, ainda por cima no período pós Covid-19″.

Além da prestação de cuidados de fisioterapia, José Roberto e Beatriz acreditam, tendo por base um inquérito realizado, que a carrinha poderia albergar outro tipo de cuidados de saúde.

Realizamos um questionário e as lacunas mais identificadas foram rastreios de medicina dentária e consultas médias, algo que também poderíamos adicionar à unidade móvel, bem como cuidados de psicologia e enfermagem”.

Os jovens, que pretendem complementar a sua formação com mestrado na área cardiorrespiratória e desporto, acreditam que apesar das “ambições serem distintas”, podem complementar-se neste projeto.