Os progressos na redução de emissões de gases com efeito de estufa dos combustíveis usados nos transportes são insuficientes para atingir as metas para 2020, alertou esta quinta-feira a Agência Europeia do Ambiente (AEA).

“Os últimos dados mostram que os progressos ainda são insuficientes para tornar os combustíveis para transportes mais respeitadores do clima”, continuando a ser “problemático para a maioria dos Estados-membros da União Europeia” atingir os objetivos de redução de emissões para 2020, diz-se num comunicado da AEA, que se baseia nos dados comunicados até 2018 e esta quinta-feira divulgados.

O objetivo da União Europeia (UE) era reduzir em 6% até 2020 a intensidade das emissões de gases com efeito de estufa dos combustíveis vendidos para transporte rodoviário, em relação a 2010, mas a maioria dos países não o está a conseguir, alerta a AEA no documento.

As emissões baixaram 3,7% entre 2010 e 2018, principalmente devido ao aumento da utilização de biocombustíveis, diz a AEA. Mas a Agência nota que as emissões aumentaram efetivamente entre 2017 e 2018 se forem tidos em conta os efeitos das alterações do solo para produção de biocombustíveis.

Em 2017, a intensidade média das emissões dos combustíveis vendidos na UE foi 3,4% inferior a 2010, quando a meta era chegar a uma redução de 4% nesse ano.

A Agência europeia nota que os transportes são responsáveis por mais de 25% das emissões de gases com efeito de estufa da UE e são “um dos principais contribuintes para as alterações climáticas”, sendo que reduzir essas emissões é fundamental para concretizar a ambição de ter emissões líquidas zero de gases com efeito de estufa até 2050.

Dos Estados membros só a Finlândia e a Suécia diminuíram as emissões em mais de 6%, por usarem combustíveis com proporções relativamente elevadas de biocombustíveis e por estes terem intensidades de emissões relativamente baixas.

Portugal está ligeiramente abaixo da média europeia na redução das emissões entre 2010 e 2018, especialmente se forem tidos em conta os efeitos das alterações do uso da terra (obteve uma redução de cerca de 2%). Excluindo esse fator a redução ronda os 3%.

Do outro lado da tabela os dois Estados que reduziram menos no mesmo período de 2010 a 2018 foram a Croácia (0,1%) e a Estónia (0,9%).