Apesar de peritos da OMS desaconselharem uso do remdesivir por não ter “qualquer efeito significativo na mortalidade”, o Governo garante que não há qualquer alteração face à utilização do medicamento. Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde, garantiu na conferência de imprensa desta sexta-feira que Portugal “segue as orientações” da Agência Europeia de Medicamentos, sendo que esta entidade não promoveu “qualquer alteração ao nível das orientações de utilização” do remdesivir.

A nível europeu está a ser feita uma avaliação pela Agência Europeia de Medicamentos, garantiu ainda. Ainda assim, Portugal permanece atento às informações disponibilizadas pela OMS.

Além dos 500 mil testes da Cruz Vermelha Portuguesa, o país fez uma reserva de 7,5 milhões de testes de antigénio através de um mecanismo europeu que está a decorrer, os quais devem chegar no início do próximo ano, confirmou Lacerda Sales logo no arranque da conferência. “Trata-se de uma reserva que pode ou não ser ativada.” O secretário de Estado esclareceu ainda que já foram feitos e reportados cerca de 30 mil testes de antigénio, numa média de 1.672 testes por dia em novembro.

Estes testes usados no nosso país têm padrões de desempenho com valores de sensibilidade superior ou igual a 90%. Quando perguntam porque não os começámos a usar mais cedo, a resposta é simples: é preciso dar tempo à ciência.

“Os testes rápidos antigénio são uma ferramenta espantosa e fundamental”, esclareceu ainda Fernando Almeida, presidente do Conselho Diretivo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA). Os testes em causa poderão permitir uma maior capacidade não só de testagem com critério, mas também uma atuação mais rápida para, dessa forma, interromper a cadeia de transmissão do vírus. No entanto, Fernando Almeida fez uma advertência: será preciso “muito cuidado na regulação de todos estes testes”.

Há 68 surtos ativos nas escolas (e não 477). Lisboa e Vale do Tejo domina

Numa altura em que o país soma mais de 6.00o casos ativos há vários dias, Lacerda Sales indicou que existem 477 surtos ativos em escolas de todo o país — um número errado e que viria mais tarde a ser corrigido pelo Ministério da Saúde. O governante referia-se, sim, ao número de surtos no país, no seu global e, por lapso, indicou esse número como sendo o número de surtos em escolas.

Ministério da Saúde corrige dados. Afinal, os anunciados 477 surtos em escolas são os do país inteiro

O Ministério da Saúde esclareceu, em comunicado, que os surtos nas creches, escolas, universidades, no setor público e privado, são afinal 68: três no Norte, 11 no Centro, 50 em Lisboa e Vale do Tejo, dois no Alentejo e dois no Algarve.

Na conferência, apesar de se referir erradamente aos 477 surtos, o secretário de Estado dizia não estar particularmente preocupado com os contágios em ambiente escolar: “Não nos parece que as escolas sejam um foco de grande intensidade. A questão das escolas está a correr bem.”

Congresso do PCP: “O Governo não pode proibir o que a lei proíbe de proibir”

Questionado sobre como está a articulação entre PCP e autoridades de saúde, a propósito da realização do congresso daquele partido, Lacerda Sales optou apenas por parafrasear o ministro da Administração Interna: “O Governo não pode proibir o que a lei proíbe de proibir”. Já antes o Governo tinha afirmado que a Constituição não permitia proibir a Festa do Avante!.

O que já se sabe do Congresso do PCP que se vai realizar em estado de emergência

“Aos governantes não cabe partilhar estados de alma, cabe a assegurar que a lei é cumprida. (…) Estamos convencidos que as autoridades estarão à altura das suas responsabilidades.”

Considerando os surtos nas cadeias e o uso de máscaras nas prisões, o secretário de Estado informou que está para breve uma orientação da DGS sobre o uso de máscaras e afirmou que “sim, devem ser utilizadas máscaras dentro das prisões”.

[Artigo modificado às 20h15 depois de o Ministério da Saúde ter corrigido os dados em relação aos surtos nas escolas]