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Mourinho avisou que só começou agora — mas também há vitórias ao sprint. E este Tottenham é candidato ao título

Assinalou um ano no cargo, lembrou que a reconstrução do Tottenham só começou agora, está "longe de estar satisfeito". Mas Mourinho pode ganhar ao sprint. E por agora, bateu o City de Guardiola (2-0).

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A equipa londrina abriu o marcador logo aos cinco minutos, graças a um golo de Son

POOL/AFP via Getty Images

A equipa londrina abriu o marcador logo aos cinco minutos, graças a um golo de Son

POOL/AFP via Getty Images

Era um Tottenham-Manchester City. Mas também era, como não podia deixar de ser, um José Mourinho-Pep Guardiola. Não só por terem sido adjunto e jogador no Barcelona, não só pela rivalidade que ainda partilharam em Espanha como treinadores e não só por serem dois dos técnicos mais mediáticos e titulados dos últimos 20 anos mas principalmente por terem ambos, à sua maneira, protagonizado uma das histórias mais relevantes deste pós-compromissos das seleções.

José Mourinho, logo à partida, cumpriu um ano civil à frente do Tottenham — substituiu Mauricio Pochettino em novembro de 2019 e um ano depois, ainda numa fase inicial da primeira temporada completa em Londres, parece estar finalmente a recolher alguns frutos do projeto de reconstrução que tem vindo a liderar.

“Nós, treinadores, procuramos o impossível, a perfeição. E eu estou longe de estar satisfeito, porque ainda não somos uma equipa perfeita. Estamos melhores do que aquilo que éramos, vamos para todos os jogos com uma mentalidade positiva, mas estamos no início de um caminho. É o primeiro ano e um ano que é especial, onde não existiu normalidade. Vamos ver. O Liverpool demorou cinco anos a atingir o objetivo, o Manchester City está nisto há 10 anos, o Chelsea há 20. Nós estamos a começar”, explicou o treinador português, que deixou ainda algumas críticas a Gareth Southgate, o selecionador inglês — algo que, aliás, já tinha acontecido antes da pausa anterior para as seleções e devido à gestão de Harry Kane.

“Honestamente, gostava que o Southgate viesse a público dizer quais são os treinadores com quem ele falou e que o pressionaram. Percebo a necessidade dele de vencer jogos, sobretudo depois de uma derrota, mesmo que não sirvam para nada [Inglaterra e Islândia já não disputavam nenhuma classificação na Liga das Nações]. Quando o Eric Dier deixou a concentração de Inglaterra, esteve dois jogos sem jogar; o Sterling toda a gente sabe que vai jogar amanhã. São estes pequenos detalhes que o Southgate nos tem que explicar”, atirou Mourinho, deixando a ideia de que Sterling deixou a seleção para regressar mais cedo ao Manchester City, numa fase em que Inglaterra já não podia chegar à final four da Liga das Nações.

Do outro lado, tanto do jogo como da polémica, estava Guardiola. O City anunciou esta semana que renovou contrato com o treinador espanhol até 2023, prolongando a liderança do técnico em Manchester por mais três anos e confirmando, novamente, que Guardiola é mesmo a cara e o cérebro do projeto do clube. Na antevisão da visita ao Tottenham, o treinador respondeu ainda às acusações de Mourinho, relacionadas com Sterling, e defendeu a inocência tanto de Gareth Southgate como do internacional inglês. “Talvez Mourinho seja médico e eu não sei. Tem de ligar aos médicos da seleção”, atirou, de forma simples. Certo é que, este sábado, Sterling estava convocado — mas partia do banco de suplentes.

Desprovido de Doherty e Lamela, um porque testou positivo para a Covid-19 e o outro porque está lesionado, Mourinho lançava Aurier na direita da defesa e Bergwijn a acompanhar Son e Ndombele no apoio a Harry Kane. Do outro lado, Ferran Torres era titular em conjunto com Gabriel Jesus e Mahrez no ataque e Guardiola lançava Rúben Dias, Cancelo e Bernardo, os três portugueses do plantel, no onze inicial. O Tottenham não precisou de muito tempo para fazer estragos com transições ofensivas rápidas e abriu o marcador logo aos cinco minutos: Ndombele desfez a organização defensiva do City com um passe vertical aéreo, Son desmarcou-se quase sem oposição e rematou à saída de Ederson (5′).

Pouco depois, os spurs voltaram a colocar a bola no fundo da baliza, com Kane a finalizar na sequência de um passe de Son, que voltou a receber de Ndombele, mas o lance foi anulado por fora de jogo do avançado inglês (13′). A partir do quarto de hora, o City começou a inverter a dinâmica da partida — até porque o Tottenham tirou o pé do acelerador — e colocou a primeira fase de construção na zona do meio-campo, passando longos períodos no meio-campo adversário. Laporte chegou a marcar, depois de um passe de Gabriel Jesus que respondeu a um bom cruzamento de Rodri, mas a jogada também foi considerada inválida por mão na bola do brasileiro (27′).

Na ida para o intervalo, o Tottenham estava a ganhar com o único remate que tinha feito à baliza — mas que era mais do que suficiente para assinalar as fragilidades defensivas da equipa de Guardiola, que no setor ofensivo não conseguia criar verdadeiras oportunidades. Na segunda parte, nenhum dos treinadores fez alterações e o City continuou a procurar o controlo da partida, esbarrando quase sempre na louvável organização dos spurs e na eficaz transição defensiva dos restantes setores da equipa de Mourinho.

Com o passar dos minutos, o City perdeu intensidade e o Tottenham começou a ganhar espaço e oportunidades para lançar o contra-ataque e procurar dilatar a vantagem. No banco, a olhar para uma fase da partida em que a equipa de Guardiola escasseava em discernimento e em que o jogo parecia progressivamente mais partido, Mourinho tirou Ndombele e colocou Lo Celso. E o argentino só precisou de segundos para deixar a própria marca. O City perdeu a bola durante um ataque e Eric Dier, com um passe longo, descobriu Kane totalmente sozinho a meio do relvado; o inglês recebeu, avançou em velocidade pelo corredor central, viu Son e Bergwijn arrastarem um defesa cada um e abriu na esquerda, em Lo Celso. O avançado recebeu em velocidade e rematou rasteiro, à saída de Ederson, aumentando a vantagem na primeira vez em que tocou na bola (65′).

Até ao fim, Sterling e Phil Foden ainda entraram, Mourinho ia lançar Bale depois de Lucas Moura mas voltou atrás quando foi obrigado a tirar Alderweireld, lesionado, e substituí-lo por Joe Rodon, e já pouco aconteceu. O Tottenham venceu pela sexta vez em nove jornadas para a Premier League, somou a quarta vitória consecutiva e fica agora à espera que o Leicester perca pontos com o Liverpool, no domingo, para agarrar a liderança isolada da classificação. Mourinho diz que só começou agora — mas a verdade é que há vitórias que acontecem ao sprint. E este Tottenham, sólido na defesa, solidário na defesa e eficaz no ataque, tem tudo para ser um verdadeiro candidato a ser campeão inglês.

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