Trabalham no Serviço Nacional de Saúde (SNS) menos 842 médicos do que trabalhavam em março, mês em que começou a pandemia de Covid-19. Esta informação (que não inclui médicos internos) é citada este sábado pelo jornal Público – os dados reunidos mostram que houve um elevado número de aposentações, 476 (designadamente reformas antecipadas), mas isso só explica cerca de metade da perda líquida de efetivos.

Segundo Mário Sardinha, do SIM, o médico responsável pelo cruzamento de dados do Portal da Transparência do SNS e da Caixa Geral de Aposentações, as cerca de três centenas de médicos que saíram do SNS (não por reforma) poderão ser médicos que acabaram o internato e não foram contratados ou, então, que optaram por não ocupar as vagas abertas nos concursos.

Outros, porém, terão ido trabalhar para o setor privado ou para outros países, já que as remunerações no SNS são comparativamente “pouco atrativas” e não são boas as “condições de trabalho, diz a mesma fonte, ao Público, dando um exemplo: “Abre-se um concurso para ortopedistas para um serviço hospitalar no Algarve que tem um quadro para 10 especialistas, mas só tem dois a trabalhar. Alguém se arrisca a concorrer, sabendo que vai para um serviço onde podem ficar apenas três médicos a fazer o trabalho de 10 [se, como acontece frequentemente, mais ninguém concorrer]?.

O mesmo responsável acrescenta, porém, que devido à pandemia houve muitos atrasos nos processos de contratação de especialistas recém-formados.

Nos dados que a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) transmitiu ao Público vê-se que que se aposentaram ao longo destes oito meses 471 médicos e que foram contratados no mesmo período 378 especialistas: um saldo negativo de 93 efetivos. A ACSS não comenta diretamente os dados do Portal da Transparência, mas lembra que os internos não entram nestas contas e lembra que “este ano está a ser atípico”, e que falta concluir o concurso para 911 especialistas nas áreas hospitalares e para 39 na saúde pública.

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