O futebol foi talvez a modalidade que mais flutuações de resultados evidenciou nos jogos sem público depois da interrupção por causa da pandemia. Sim, por norma os melhores ganharam mais vezes. Mas mesmo dentro dessa realidade, ganharam menos vezes e sobretudo ganharam com maiores dificuldades. No polo oposto, mesmo sendo um desporto individual, encontrava-se o ténis. E com dois exemplos paradigmáticos, os dois do costume além do lesionado Roger Federer: Novak Djokovic e Rafa Nadal. O sérvio ganhou em Cincinatti, teve depois aquela exclusão polémica no US Open, venceu em Roma e perdeu a final de Roland Garros. O espanhol foi afastado nos quartos de Roma por Diego Schwartzman mas não falhou no Grand Slam francês. Depois, tudo começou a mudar.

Tenista grego Tsitsipas ‘derruba’ Thiem e conquista ATP Finals pela primeira vez

Em condições normais, a final mais aguardada do ATP Finals passava por um reencontro entre os dois primeiros do ranking mundial. Podia ser com mais ou menos problemas mas, no plano teórico, acabariam por ultrapassar etapas até ao encontro decisivo. A realidade, essa, foi outra: Djokovic, que caíra de forma surpreendente nos quartos do torneio de Viena frente ao italiano Lorenzo Sonego, teve uma derrota na fase de grupos diante de Daniil Medvedev e foi afastado nas meias por Dominic Thiem, num encontro muito equilibrado decidido com os parciais de 7-5, 6-7 (10-12) e 7-6 (7-5); Nadal, que perdeu nas meias de Paris frente a Zverev, sofreu também um desaire na fase de grupos com Thiem e foi afastado da final por Medvedev, também em três sets (3-6, 7-6 com 7-4 e 6-3).

O espanhol perdeu a hipótese de lutar por um dos poucos títulos ainda em falta na carreira, o sérvio viu gorada a possibilidade de igualar o recorde de seis vitórias de Roger Federer. E, à semelhança do que aconteceu nos últimos quatro anos, a época fecharia com um novo vencedor do ATP Finals, depois de Andy Murray (2016, frente a Novak Djokovic), Grigor Dimitrov (2017, David Goffin), Alexander Zverev (2018, Novak Djokovic) e Stefanos Tsitsipas (2019, Dominic Thiem). E com um nome que andará na luta pela melhor vaga entre a nova geração.

Naquela que era a reedição da última meia-final do US Open, Daniil Medvedev surgia apostado em prolongar o bom momento demonstrado na recente vitória em Paris para conquistar o primeiro grande torneio do ATP, numa altura em que tinha como melhor resultado entre Grand Slams e Finals as meias do torneio americano este ano, ao passo que Dominic Thiem, que este ano conseguiu quebrar a barreira do primeiro Grand Slam ao vencer o US Open depois de duas derrotas em Roland Garros e uma no Open da Austrália, procurava confirmar-se como principal figura extra Djokovic e Nadal num ano de 2020 onde ascendeu ao terceiro lugar do ranking mundial. No final, o russo de 24 anos conseguiu ser mais forte mesmo perdendo o primeiro set, tornando-se apenas o quarto jogador a ganhar aos três primeiros do ranking no mesmo torneio depois de David Nalbandian (2007, em Madrid, a Roger Federer, Rafa Nadal e Novak Djokovic), Djokovic (2007, em Montreal, a Federer, Nadal e Andy Roddick) e Boris Becker (1994, em Estocolmo 1994, a Pete Sampras, Goran Ivanisevic e Michael Stich).

Medvedev até começou melhor o encontro, mais solto e a fazer melhor uso do serviço, mas bastou uma pequena quebra para Thiem segurar o primeiro set: com o russo a ganhar por 40-0 com 2-2, o austríaco conseguiu levar tudo para as vantagens e quebrou mesmo o serviço, tendo a partir daí uma vantagem que controlou até fechar com 6-4. O filme repetiu-se no quinto e no sétimo jogo do segundo parcial mas, fazendo a diferença com ases nas alturas certas, Medvedev aguentou o seu jogo de serviço beneficiando também de dois erros pouco habituais de Thiem e acabou por vencer com sete pontos seguidos no tie break (7-2), fechando depois o terceiro e último set com um triunfo por 6-4 e garantindo o primeiro grande título perante a notória quebra do austríaco.