Não será propriamente uma grande surpresa, mas os dados económicos “avançados” recolhidos nas maiores economia europeias confirmam que a zona euro estará a caminhar para uma segunda recessão. Mas não será, dizem os economistas, tão grave quanto a primeira.

Os índices de gestores de compras (PMI, na sigla anglo-saxónica) no setor dos serviços – o mais penalizado nesta crise – afundou de 46,2 pontos em outubro para 41,3 pontos em novembro, sendo que qualquer leitura abaixo dos 50 pontos sugere uma contração da atividade.

Do lado da indústria, também houve uma descida (de 1,2 pontos) mas o indicador continua um pouco acima dessa fasquia dos 50 pontos: está em 53,2 pontos, ainda a recuperar dos níveis mais negativos que foram tocados na primavera.

O índice composto, que inclui os dois setores, caiu, assim, de 50 pontos para 45,1 pontos. Os índices PMI, que são divulgados pela consultora Markit, não incluem a economia portuguesa na análise – apenas as maiores economias europeias como Alemanha, França e Itália, entre outros países.

Os economistas do Commerzbank dizem, em nota de análise, que os dados mostram que estão a ter um impacto muito negativo as recentes restrições que foram anunciadas para combater o aumento da propagação. Porém, “o declínio na atividade não é comparável ao que aconteceu na primavera, quando o índice PMI dos serviços caiu 40 pontos em dois meses”.

Também o banco ING reconhece que os dados são muito negativos mas assinala que o setor industrial está a dar um apoio assinalável, embora não suficiente ainda para compensar a quebra dos serviços, e acrescenta: “Também é positivo que as perspetivas empresariais estejam a melhorar à conta de desenvolvimentos animadores sobre a vacina, que poderão ser o primeiro passo para a recuperação no investimento”.

“Ainda assim, como a segunda ‘perna’ do W está apenas agora a começar, antecipa-se um caminho longo e imprevisível de recuperação”, conclui o ING.